Al Qaeda assume autoria de atentado que matou 57 no Iraque

Um grupo ligado à Al Qaeda assumiu na sexta-feira a autoria de um atentado suicida contra um centro de recrutamento militar em Bagdá, que matou pelo menos 57 soldados e recrutas na terça-feira.

REUTERS

20 de agosto de 2010 | 10h06

O ataque, um dos mais violentos deste ano, ocorreu poucas semanas antes do fim das operações de combate dos EUA no país, marcadas para 31 de agosto -- o que é um marco importante para o final do conflito iniciado há sete anos e meio. Até o fim do mês o contingente norte-americano no Iraque deve cair de 52 mil para 50 mil soldados.

Em nota divulgada em um site habitualmente usado por militantes, o Estado Islâmico do Iraque, grupo local afiliado à Al Qaeda, disse que o alvo do atentado era uma área de alta segurança. Na hora da explosão muitos jovens faziam fila para se candidatar a uma vaga no Exército iraquiano.

"Um dos heróis do Estado do Islã (...), armado com um traje de suicida, alvejou uma reunião do gado descrente e de outros apóstatas que venderam sua religião por pouco dinheiro", disse a nota.

Segundo o comunicado, os recrutas se oferecem como armas em uma guerra contra os muçulmanos sunitas, que estaria sendo travada pelo governo, dominado por xiitas.

"Nosso irmão acionou e explodiu seu traje após se misturar na multidão", informou o texto.

O conflito sectário entre a minoria sunita e a maioria xiita começou depois da invasão norte-americana de 2003, mas perdeu força nos últimos anos. No entanto, uma persistente insurgência sunita continua realizando ataques.

Atualmente, os insurgentes tentam explorar o vácuo político criado pela incapacidade das facções sunitas, xiitas e curdas de formarem uma coalizão de governo, cinco meses depois das inconclusivas eleições parlamentares de 7 de março.

Autoridades dos EUA e Iraque dizem que os ataques foram também uma mensagem aos seguidores dos insurgentes, de que os grupos continuam ativos, apesar de uma série de golpes contra a rede Al Qaeda, inclusive uma ação militar, em abril, que matou Abu Ayyub al Masri, líder da Al Qaeda no Iraque.

O general Ray Odierno, principal comandante dos EUA no Iraque, disse no começo de junho que 34 dos 42 principais líderes da Al Qaeda no Iraque haviam sido mortos ou capturados nos três meses anteriores.

(Reportagem de Khalid al-Ansary)

Tudo o que sabemos sobre:
IRAQUEALQAEDAATENTADO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.