Al-Qaeda no Iraque ameaça Israel e promete libertar palestinos

Líder do grupo terrorista sugere em fita de áudio o uso do território iraquiano como base para tomar Jerusalém

Agência Estado e Associated Press,

14 de fevereiro de 2008 | 13h37

O suposto líder da Al-Qaeda no Iraque, numa mensagem divulgada nesta quinta-feira, 14, em sites militantes islâmicos da internet, pediu por novos ataques contra Israel e pela libertação da Palestina, propondo usar o território iraquiano como "base" para capturar Jerusalém.  Na fita de áudio de 30 minutos, Abu Omar al-Baghdadi, que lidera o Estado Islâmico do Iraque, um congregação de grupos sunitas, disse que seu grupo estava se preparando para usar a província ocidental de Anbar como uma base de lançamento para mísseis contra Israel - como foi feito pelo antigo ditador Saddam Hussein que lançou 31 mísseis contra o Estado judeu durante a Guerra do Golfo, de 1991. Ele criticou duramente grupos árabes e palestinos - especialmente o palestino Hamas - por não terem conseguido ainda libertar a Palestina. Al-Baghdadi pediu ao braço militar do Hamas, as Brigadas Al-Qassam, para romper com a liderança política do grupo islâmico e libertar Jerusalém, ou Al-Quds, como a cidade é chamada pelos árabes. As declarações de al-Baghdadi surgem na mesma semana em que o diretor da inteligência nacional dos Estados Unidos advertiu para a existência de indícios segundo os quais a Al-Qaeda no Iraque estaria se preparando para expandir seus ataques por toda a região. Mike McConnel disse numa audiência no Senado na terça-feira que a rede terrorista "pode organizar recursos para preparar ataques fora" do Iraque. A fita de áudio foi divulgada pela al-Furqan, um braço de mídia da Al-Qaeda. Nunca foi publicada uma foto de al-Baghdadi, que oficiais dos EUA garantem ser um personagem fictício usado para dar uma imagem iraquiana a uma organização dominada por estrangeiros. Militares dos EUA disseram que um alto membro da Al-Qaeda, sob interrogatório, revelou que os discursos de al-Baghdadi são lidos por um ator. No áudio desta quinta, ele também ameaçou palestinos moderados, alegando que a guerra santa "não faz distinção entre os judeus infiéis e os renegados palestinos (...) entre (o primeiro-ministro israelense Ehud) Olmert e seus bandidos e (o presidente palestino Mahmud) Abbas e sua gangue". Já os líderes políticos do Hamas "traíram a nação e se voltaram contra o sangue dos mártires", acusou. Eles estariam pressionando a ala militar do grupo para suspender ataques de foguetes contra Israel e aceitar uma trégua.  Al-Baghdadi pediu a "abertura de novas frentes para aliviar a pressão americana e judaica sobre a Palestina enquanto se reforça as frentes no Iraque e Afeganistão". Ele adiantou que seu grupo estava se preparando para lançar mísseis contra o Estado judeu. "Os judeus e os americanos perceberam isso e tentam de todas as formas nos impedir de alcançar esse objetivo, inclusive com a dura campanha em Anbar, sabendo que é fácil disparar mísseis contra Israel de algumas partes (da província), comentou.  No ano passado, grupos sunitas que antes apoiavam a Al-Qaeda no Iraque passaram para o lado dos EUA e engajaram-se numa campanha para expulsar da região os rebeldes de Anbar, uma ampla província no oeste do Iraque. O movimento, conhecido como Conselhos do Despertar, levou grande parte do crédito pelas mudanças observadas na região. A Al-Qaeda nunca admitiu publicamente ter perdido o controle de Anbar, mas Al-Baghdadi mencionou o assunto em sua mensagem: "A colaboração (dos conselhos) para nos expulsar de Anbar têm como objetivo nos impedir de ajudá-los (os palestinos). Mas mantenham a esperança de que nada nos impedirá de fazer a coisa certa". O extremo ocidental de Anbar fica a menos de 350 quilômetros da fronteira de Israel, o que coloca o país ao alcance de mísseis de médio alcance similares aos disparados por Saddam Hussein em 1991.

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