Alan Johnston diz que cativeiro foi aterrorizante

Jornalista deve ir para consulado britânico em Jerusalém e embarcar para Londres

Associated Press e Efe, Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h27

O jornalista britânico da BCC, Alan Johnston, disse em entrevista que seu cativeiro foi "em algumas ocasiões aterrorizante" e que esteve "nas mãos de gente perigosa e imprevisível". O jornalista britânico liberado após 113 dias deixou nesta quarta-feira, 4, a Faixa de Gaza e foi para Jerusalém. Johnston deve ir para o consulado britânico em Jerusalém e embarcará em Tel Aviv para Londres. Em entrevista coletiva conjunta com o deposto primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, na Cidade de Gaza, o jornalista disse ainda que sonhou muitas vezes com a liberdade. O correspondente da rede britânica BBC, seqüestrado no dia 12 de março, disse que só sentiu próxima sua libertação após a tomada da Faixa de Gaza pelo Hamas, em 14 de junho. Se não fosse pelos "esforços" do movimento islâmico, avaliou, "teria passado muito mais tempo preso". Os seqüestradores, disse, "pareciam muito à vontade e seguros" até o Hamas começar a pressionar. Então, "ficaram muito mais nervosos". Johnston explicou que os milicianos do Exército do Islã "ameaçaram" a sua vida "em várias ocasiões" e foram "geralmente rudes" e "desagradáveis" com ele. Mas garantiu que não recebeu maus-tratos físicos durante seu cativeiro. "À medida que o tempo passava, sentia que não me matariam", acrescentou, antes de explicar que o local do cativeiro foi mudado em duas ocasiões. Ele chegou a ficar com as mãos e os tornozelos acorrentados durante 24 horas. O jornalista, de 45 anos, informou que recebia de seus seqüestradores "comida muito básica". Eles permitiam que ele ouvisse a "BBC". "Ocasionalmente" também podia assistir à TV. Johnston definiu seu cativeiro como "as piores 16 semanas" da sua vida. Ele relatou que travou uma "imensa batalha" para "conservar a cabeça fria" diante do "enorme estresse e pressão" a que foi submetido. Após reconhecer que ainda "é difícil acreditar" que esteja livre de novo, o jornalista escocês agradeceu pelo "extraordinário apoio" que recebeu durante seu seqüestro, "especialmente" de seus colegas palestinos. O primeiro-ministro deposto Ismail Haniyeh abriu a entrevista coletiva para ressaltar a convicção do Hamas de que Johnston devia ser libertado e de que seu seqüestro não ajudava à causa palestina.

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