Daniel Berehulak/Associated Press
Daniel Berehulak/Associated Press

'Alí Químico' recebe 4ª sentença de morte no Iraque

Primo de Saddam Hussein é condenado por ataque com gás que matou 5 mil curdos em 1988

ASEEL KAMI, REUTERS

17 de janeiro de 2010 | 10h50

Um tribunal iraquiano sentenciou neste domingo, 17, Ali Hassan al-Majeed, o seguidor fiel de Saddam Hussein conhecido como "Alí Químico", à morte por enforcamento por um ataque com gás que matou cerca de 5 mil curdos em 1988, disse uma autoridade judicial.

Majeed, primo de Saddam que ganhou o apelido por causa do uso de gás venenoso, foi condenado por um ataque contra curdos iraquianos da cidade de Halabja. Ele já enfrenta sentenças de morte em outros três casos.

"A decisão foi emitida hoje, 17 de janeiro, para sentenciar Ali Hassan al-Majeed à morte por enforcamento... por crimes cometidos contra a humanidade", disse Aref Abdul-Razzaq al-Shahin, chefe do tribunal.

O Alto Tribunal Iraquiano também sentenciou o ex-ministro da Defesa Sultan Hashem e o ex-chefe da inteligência militar de Saddam, Sabir al-Douri, a 15 anos de prisão cada um pelo ataque. Abd Mutlaq al-Jubouri, ex-chefe da inteligência regional, foi condenado a 10 anos.

Majeed foi capturado em agosto de 2003, cinco meses depois que as forças norte-americanas invadiram o Iraque. Ele tinha uma reputação de crueldade na hora de lidar com opositores de Saddam. Muitos iraquianos o temiam mais do que ao próprio líder.

Ele foi sentenciado à forca em junho de 2007 por seu papel em uma campanha militar contra os curdos étnicos, de codinome Anfal, que durou de fevereiro até agosto de 1988.

Majeed também recebeu uma sentença de morte em dezembro de 2008 por seu papel para esmagar uma revolta xiita depois da Guerra do Golfo de 1991, e outra em março de 2009 por seu envolvimento na morte e desalojamento de muçulmanos xiitas em 1999.

Saddam foi executado em dezembro de 2006, depois de ser condenado por crimes contra a humanidade pelas mortes de 148 xiitas depois de uma tentativa de assassinato.

Cerca de 290 mil pessoas desapareceram durante o regime de Saddam Hussein, de 1979 a 2003, segundo estimativas da Human Rights Watch. O Alto Tribunal Iraquiano foi criado para julgar membros do governo após a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003.

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