Aliança de partido de Netanyahu é dissolvida por desacordo sobre Hamas

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, anunciou nesta segunda-feira que o seu partido estava abandonando a coligação com o Likud, legenda do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, dizendo que as diferenças sobre como enfrentar o grupo palestino Hamas haviam contribuído para a dissolução da aliança.

REUTERS

07 de julho de 2014 | 12h42

Lieberman disse que seu partido, o Yisrael Beitenu - que favorece uma posição mais dura em relação ao grupo islâmico baseado em Gaza, envolvido em uma luta diária com Israel na fronteira -, permaneceria na coalizão de governo de Netanyahu, apesar do rompimento com o Likud.

"As diferenças entre mim e o primeiro-ministro ultimamente se tornaram substanciais e fundamentais", disse Lieberman em uma entrevista coletiva.

Destacar suas diferenças com Netanyahu poderia ser uma tentativa de Lieberman de se posicionar mais à direita do líder conservador e reconquistar os eleitores que se afastaram de sua legenda e se uniram ao partido ultranacionalista judaico de Naftali Bennett.

Conhecido por seu estilo contundente e crítico das negociações de paz entre israelenses e palestinos, agora interrompidas, Lieberman pediu recentemente uma grande ofensiva contra o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza.

As disputas na fronteira se intensificaram nas últimas semanas, com os militantes lançando ataques com foguetes, e Israel realizando ataques aéreos.

"Uma situação em que um grupo terrorista tem centenas de foguetes que pode decidir usar a qualquer momento é intolerável", disse Lieberman. "Houve sugestões para esperarmos... mas eu não sei o que estamos esperando."

Netanyahu advertiu contra movimentos militares precipitados. Fontes políticas afirmam que Lieberman e Netanyahu tiveram uma discussão durante uma reunião de gabinete no domingo sobre como confrontar o Hamas.

Na coletiva de imprensa, Lieberman reconheceu que houve um "debate acalorado", mas não deu detalhes.

Yisrael Beitenu e o Likud se uniram para compor uma lista de candidatos nas eleições gerais de 2013, em uma tentativa de garantir um bloco conservador dominante, mas ganharam menos votos do que o previsto.

"A verdade é que essa aliança não funcionou na eleição ou depois", disse Lieberman, acrescentando que continuaria a ser um "leal parceiro de coalizão".

Netanyahu lidera uma coalizão fragmentada com partidos ultranacionalistas e centristas que diferem amplamente sobre os assentamentos israelenses em terras que os palestinos querem para um Estado, e também sobre as liberdades civis e questões religiosas.

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