Allawi diz que não aceitará outro governo 'individual' de al-Maliki

Declarações de ex-premiê reforçam expectativa de negociações pós-eleitorais

Reuters

19 de março de 2010 | 12h19

BEIRUTE - O ex-primeiro-ministro do Iraque e líder da principal coalizão opositora, Iyad Allawi, disse nesta sexta-feira, 19, que não aceitará o retorno do governo "individual" de Nouri al-Maliki, o atual premiê. A declaração reforça a expectativa de que haverá um longo período de negociações para formar um governo de coalizão após as eleições parlamentares no país.

 

"Nossa real preocupação é o bem-estar do povo, não importa qual será a forma de governo nem quanto vai demorar para ela ser estabelecida. Nós não vamos aceitar a formação rápida de um governo, o que traria desastres pelos próximos quatro anos. Esse governo de um partido, individual, não aceitaremos", protestou Allawi.

 

Os últimos resultados da apuração mostraram um equilíbrio entre o bloco xiita Aliança Estado de Direito, de al-Maliki, que está pouco à frente da aliança Iraqiya, de Allawi. O bloco laico do ex-premiê, porém, lidera nas áreas sunitas, o que pode ser um fator decisivo nas negociações pelo governo de coalizão.

 

Analistas dizem que um governo excluindo a Iraqiya pioraria o ressentimento da minoria sunita desde que, em 2003, a invasão americana lhes tirou o poder. Al-Maliki apoia uma medida do Parlamento para barra centenas de candidatos supostamente ligados ao partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, o que gerou críticas dos opositores, que disseram que o premiê está "comprometido contra a reconciliação".

 

"Vimos que ele representa o movimento sectário. Ele tem apontado representantes no governo apenas do seu partido, o que pode ser muito perigoso e causar problemas no país", disse Allawi. "Se ele mudar sua atitude e demonstrar isso, claro que haverá um sentimento de cooperação. As dinâmicas mudaram, talvez esse seja o aviso para que ele não tenha futuro se persistir com essa postura", completou o líder da Iraqiya.

 

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