Ameaça de Karzai é só pressão sobre Paquistão, dizem analistas

A ameaça do presidente afegão, HamidKarzai, de cruzar a fronteira paquistanesa para perseguirmilitantes do Taleban é mais uma tática para impor pressãosobre o Paquistão do que um sinal de intenção real, disseramanalistas nesta segunda-feira. Irritado com os esforços do Paquistão para fazer a paz commilitantes em suas áreas tribais, Karzai fez a advertência nodomingo depois que o Taleban realizou uma ousada e bem-sucedidaoperação para libertar em massa prisioneiros em Candahar, nosul do Afeganistão. O Ministério de Relações Exteriores do Paquistão chamounesta segunda-feira o embaixador afegão em Islamabad paraexpressar forte protesto contra as declarações de Karzai, disseo porta-voz Mohammad Sadiq. "Quando a comunicação é interrompida, as opiniõesproliferam", disse Afrasiab Khattack, dirigente do PartidoNacional Awami, uma influente agremiação nacionalista da etniapashtun. O Partido Nacional Awami é uma organização secular quecompete com partidos islâmicos por influência sobre ospashtuns, o grupo étnico ao qual pertence a maioria dosmilitantes do Taleban. "Acho que está mais do que na hora de eles começarem umprocesso de comunicação para evitar maior escalada", disseKhattack, cujo partido é membro minoritário no governo decoalizão do país, formado há dois meses e meio, e está no poderna Província da Fronteira Ocidental. Analistas dizem que a ameaça de Karzai foi uma repetição doque algumas autoridades dos EUA e da Organização do Tratado doAtlântico Norte (Otan) haviam sugerido anteriormente e que oExército afegão não poderia agir em tal questão de modoindependente do comando militar dos EUA e da Otan. "Agora ele falou a linguagem deles", disse Rustam ShahMohmand, ex-embaixador do Paquistão em Cabul. Mohmand suspeitaque Karzai, que disputará a reeleição no próximo ano, estivessetentando se desviar de críticas em uma conferênciainternacional de doadores em Paris, na semana passada. Embora os doadores tenham prometido ajuda de 20 bilhões,eles disseram que Karzai tem de combater a corrupção e melhoraro controle do governo sobre o país. A censura de Karzai ao Paquistão não é novidade, mas aameaça de cruzar a fronteira coincidiu com a crescenteimpaciência dos aliados do Ocidente em relação ao Paquistão. A fuga na sexta-feira de mais de 1.000 prisioneiros,incluindo 400 militantes do Taleban, da prisão de Candahar foimais uma embaraçosa demonstração para Karzai da força doinimigo. (Reportagem adicional de Sayed Salahuddin)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.