Amorim propõe 'solução privada' para impasse sobre urânio do Irã

Ministro discute questão nuclear iraniana com diretor da agência atômica da ONU no Rio

Agência Estado

23 de março de 2010 | 16h24

RIO - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, propôs nesta terça-feira, 23, durante encontro com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano que o Irã envie seu urânio para enriquecimento no exterior por meio de uma 'transação privada'.

"A principal questão é como operar essa simultaneidade, como permitir que ao mesmo tempo fique claro que o Irã está colocando de lado desde já uma parte do seu estoque de urânio e ele possa receber de volta os elementos combustíveis. Bem, o Irã não tem confiança nos países e os outros países não têm confiança no Irã, então qual é a única maneira? Isso você faz até numa transação privada. Você tem um depositário fiel, que pode ser um terceiro país. Isso é uma sugestão que estamos fazendo", disse Amorim.

Para ele, se houver "boa vontade", não se trata de uma "coisa impossível". "Mas se não houver vontade política, se as pessoas preferirem agir como agiram no passado com resultados desastrosos, como foi o caso do Iraque, aí...", declarou Amorim, sem completar a frase. Perguntado se o Brasil poderia ser o terceiro país a participar dessa negociação com o Irã, o ministro disse que não será preciso, porque há países mais próximos.

O Irã aumentou o nível de enriquecimento de urânio em seus reatores de 3,5% para 20%, o que elevou os temores das potências ocidentais de que o regime persa estaria buscando desenvolver armas nucleares. Teerã diz que busca apenas produzir isótopos radioativos para fins médicos.

Em outubro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) propôs que o Irã enriquecesse seu urânio em outros países, para diminuir os riscos de um fim militar para o programa nuclear do país. Teerã e o Ocidente não chegaram a um acordo sobre como esta troca seria feita.

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