Ampliação de assentamentos gera crise durante visita de Biden

No dia em que vice dos EUA foi a Israel tratar das negociações de paz, foi anunciada construção de 1.600 casas

BBC Brasil, BBC

10 de março de 2010 | 08h22

O anúncio do governo israelense sobre a construção de mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental gerou uma crise de confiança entre Israel e o governo dos EUA durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, ao Estado judeu.

 

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Nesta quarta-feira, 10, Joe Biden é aguardado em Ramallah, na Cisjordânia, para se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e com o primeiro ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayad. Acredita-se que o novo anúncio de Israel acabe sendo o principal tema da conversa entre o vice americano e os líderes palestinos, pois coloca em risco a possibilidade de retomada das negociações de paz com os israelenses.

 

Biden recebeu a notícia de que o Ministério do Interior de Israel tinha anunciado a construção das novas casas em Jerusalém Oriental pouco antes de ir ao jantar na residência do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, na terça feira. A notícia pegou Biden de surpresa e o levou a fazer consultas telefônicas com Washington durante uma hora e meia, atrasando o jantar com o premiê.

 

Tensão

 

Durante o jantar, que ocorreu em clima tenso, foram divulgados a jornalistas em Israel dois comunicados condenando a construção das casas, um do próprio Biden e outro da Casa Branca. "Eu condeno a decisão do governo de Israel de promover o planejamento de novas casas em Jerusalém Oriental. O momento do anúncio, justamente no início das conversas de aproximação, é exatamente uma medida que afeta a confiança que necessitamos agora e contradiz as conversas construtivas que tivemos em Israel", disse Biden em seu comunicado, que foi classificado pela imprensa local como uma "condenação dura" à ação israelense.

 

O anúncio das novas construções, classificado pelo jornal israelense Ha'aretz como uma "humilhação" do vice-presidente americano, também teria causado constrangimento ao próprio premiê Netanyahu.

 

Segundo uma nota divulgada pelo Ministério do Interior de Israel, o anúncio da construção das casas "não tinha relação alguma" com a visita do vice presidente americano. O governo israelense também afirmou que o congelamento dos assentamentos, anunciado em novembro de 2009, não inclui as construções em Jerusalém Oriental.

 

As críticas ao anúncio de Israel não partiram somente do vice de Barack Obama. A ONU e a União Europeia também desaprovaram a decisão do governo de Israel. O Estado judeu chegou a pedir desculpas por meio do ministro de Assuntos Sociais, Isaac Herzog, que classificou a expansão dos assentamentos como "vergonhosa" e disse que era preciso "pedir desculpas". Netanyahu, porém, se limitou a dizer a Biden que "não sabia que o anúncio seria feito".

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