Anistia acusa Hamas e Fatah de violarem direitos humanos

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, grupos convivem com violento racha e inviabilizam criação de Estado palestino

Reuters,

24 de outubro de 2007 | 13h54

As violações dos direitos humanos tornaram-se mais comuns na Faixa de Gaza e na Cisjordânia após o enfrentamento de junho entre o Hamas e o Fatah, disse na quarta-feira, 24, o grupo Anistia Internacional.   O Hamas, uma organização islâmica, e o Fatah, secular, afirmam representar a luta nacional dos palestinos, mas seu violento racha tem sido interpretado como um revés sem precedentes para as esperanças de formar um Estado palestino nas terras ocupadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias (1967).   Atualmente, o Hamas controla a Faixa de Gaza e o Fatah, a Cisjordânia.   Em um relatório de 57 páginas, a Anistia Internacional observou que a guerra civil de junho na Faixa de Gaza, em que foram mortas 160 pessoas, provocou a criação na prática de governos palestinos diferentes em cada um dos territórios, dentro dos quais adversários políticos estão sendo submetidos a atos de violência.   "Prisões arbitrárias, casos de tortura e outros episódios de maus-tratos aos detentos tornaram-se comuns sob o governo do Hamas. E a melhoria verificada nas questões de segurança após a vitória do Hamas vem se deteriorando rapidamente", disse a Anistia.   O grupo também acusou o Fatah, ligado ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, de abusos cometidos na Cisjordânia, área que controla e onde tem prendido simpatizantes do Hamas. "A prisão arbitrária de supostos simpatizantes do Hamas pelas forças de segurança da Autoridade Palestina tornaram-se fato corriqueiro", afirmou o grupo de defesa dos direitos humanos.   Segundo a Anistia, o Hamas e a Fatah haviam detido cada um cerca de mil pessoas desde os combates de junho, algumas vezes por períodos de até duas semanas.   O Hamas considerou o relatório injusto e afirmou que suas forças estão agindo para combater a falta de segurança na Faixa de Gaza enquanto a Fatah realizaria, na Cisjordânia, ações punitivas. "A segurança dos cidadãos da Faixa de Gaza tem aumentado muito", afirmou Sami Abu Zuhri, uma autoridade do Hamas.   O governo de Abbas também atribuiu a culpa a seu adversário, no caso o Hamas. "Há uma diferença enorme entre uma força ilegal que comete violações dos direitos humanos e uma força de segurança legítima que conta com o apoio da lei", afirmou Mahmoud al-Habbash, ministro palestino para as Questões Sociais.

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