Annan alerta para escalada na Síria, e diz que diálogo segue

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, disse na sexta-feira que a situação no país precisa ser tratada com cuidado para evitar uma escalada que desestabilize toda a região.

STE, REUTERS

16 de março de 2012 | 18h23

Annan apresentou um relato da situação ao Conselho de Segurança da ONU, falando por videoconferência do seu gabinete em Genebra. Depois, ele disse a jornalistas que recomendou ao Conselho que fale a "uma só voz" contra a violência, pelo acesso de agências humanitárias ao país, e pela instauração de um processo político que leve à democracia na Síria.

"Acho que precisamos lidar de forma muitíssimo cuidadosa com a situação na Síria", disse Annan aos jornalistas em Genebra. "Sim, tendemos a focar na Síria, mas qualquer erro de cálculo que leve a uma grande escalada terá impacto na região, o que seria extremamente difícil de administrar".

"Algumas pessoas têm a tendência a compará-la à Líbia e a outras situações, mas acredito que a Síria está se provando muito mais complexa, e por isso todos estão se movendo muito cautelosamente."

Annan disse que continua mantendo contatos com o governo sírio para tentar conter a violência. No fim de semana, ele foi recebido pelo presidente Bashar al Assad, e também se reuniu com representantes da oposição.

"A oposição com a qual me reuni não era a oposição armada, a oposição com a qual me reuni estava ávida por iniciar um diálogo e resolver as questões de forma política e pacífica", afirmou.

"É pelo povo da Síria que eu labuto", prosseguiu o ganense. "Apelo novamente em nome do povo e em nome da humanidade que essa brutalidade pare."

Também na sexta-feira, Annan se reuniu com os embaixadores da China e da Rússia junto à ONU em Genebra. Esses dois países já vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança sobre a Síria.

"Fiquei encorajado pelo fortíssimo apoio e determinação do Conselho de trabalhar junto. Sei que alguns de vocês estão sorrindo, que têm havido diferenças, mas isso é normal. E espero que muito em breve a gente esteja ouvindo uma só voz do Conselho."

Annan já esteve com representantes da Turquia e do Irã, e em breve deve viajar a Rússia e China. No começo da semana que vem, ele enviará assessores a Damasco para discutirem uma proposta de envio de monitores internacionais ao país.

"No momento apropriado, quando eu considerar que suficiente progresso foi feito, devo estar preparado para voltar à região", disse Annan.

O veterano negociador e ex-secretário-geral da ONU, ganhador do Nobel da Paz, não quis dizer quanto tempo aceitaria esperar por progressos.

"O tempo é sempre uma questão nas negociações. É claro que cada crise ou situação tem suas especificidades (...). Se você chega à conclusão ou faz o julgamento de que é uma perda de tempo ou que um lado está jogando para ganhar tempo, você chega às consequências e à ação apropriada", disse Annan.

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