Annan quer Irã como parte da solução para crise na Síria

O Irã deve ser parte da solução para a crise na Síria, disse o mediador internacional Kofi Annan, nesta sexta-feira, uma semana antes de uma reunião de crise planejada que está em xeque por causa de objeções ocidentais à participação da República Islâmica.

REUTERS

22 de junho de 2012 | 14h31

Annan afirmou que queria nações com influência em ambos os lados do conflito envolvidas no processo de paz e disse que alguns países tinham tomado iniciativas nacionais que arriscavam desencadear uma "concorrência destrutiva".

"É hora de os países influentes elevarem o nível de pressão sobre as partes no terreno e persuadi-las de que é do seu interesse parar a matança e começar a dialogar", afirmou Annan, o enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe, em entrevista coletiva.

"Quanto mais esperamos, mais obscuro o futuro da Síria se torna", alertou.

Questionado se o Irã vai participar das conversações, provisoriamente previstas para acontecer em Genebra em 30 de junho, o ex-secretário-geral da ONU respondeu: "Estamos discutindo a composição e outros aspectos da reunião. Mas eu deixei bem claro que eu acredito que o Irã deve ser parte da solução".

O Irã, um poderoso aliado e vizinho da Síria, é tema de um impasse diplomático entre os Estados Unidos e a Rússia, que diferem não apenas na forma de avançar na Síria, mas também sobre o programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos e a União Europeia aplicaram sanções rígidas sobre o petróleo iraniano para pressionar o Irã a suspender seu programa nuclear, que eles temem ser uma cobertura para o desenvolvimento de armas nucleares. O Irã nega estar buscando armas nucleares.

O plano de paz de Annan para a Síria está em xeque desde que o prazo para um cessar-fogo em 12 de abril não acabou com os conflitos, que se intensificaram a tal ponto que uma missão de 300 observadores da ONU foi forçada a recuar para as suas bases no último sábado.

O general Robert Mood, comandante da missão de observadores que estava falando ao lado de Annan, disse que havia várias pessoas envolvidas no conflito que estavam tentando ganhar tempo e não tinham pressa para ver um fim à luta.

(Reportagem de Tom Miles e Stephanie Nebehay)

Mais conteúdo sobre:
SIRIAANNANIRA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.