Annan vira bode expiatório, mas insiste em plano para a Síria

O enviado internacional Kofi Annan continua buscando uma solução política para a crise na Síria, apesar de os dois lados em conflito o tratarem como bode expiatório para o fracasso até agora, disse na sexta-feira uma fonte próxima à mediação.

STE, Reuters

27 de julho de 2012 | 10h47

Annan, ex-secretário-geral da ONU, e seu sucessor no cargo, Ban Ki-moon, se reuniram na sexta-feira em Londres para discutir os futuros esforços de mediação e uma missão de observação da ONU. Além disso, o "Grupo de Ação" para a Síria deve voltar a se encontrar em breve, mas não em nível ministerial, segundo a fonte.

Moscou, Genebra e Nova York foram locais propostos para receber a próxima discussão sobre um "mapa para um acordo político" já aceito em 30 de junho por grandes potências em Genebra. Não há, no entanto, um plano definitivo, segundo a fonte, que pediu anonimato.

Essa fonte disse que foi encorajador ver a oposição ao presidente Bashar al Assad se unindo para discutir o futuro da Síria, e acrescentou que aparentemente Annan não está em contato no momento com o general desertor Manaf Tlas, que manifestou a intenção de unificar a oposição ao seu redor.

"Pedimos a eles que se apressem e se tornem tão coesos quanto é necessário, e que se sentem com o interlocutor do outro lado", afirmou a fonte.

A questão da Síria provoca uma forte divisão entre as grandes potências. China e Rússia, aliadas de Assad, já vetaram três propostas de resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiriam a imposição de sanções ao regime, a última delas na semana passada.

A fonte da Reuters, no entanto, disse que Annan detectou sinais de "flexibilidade e compromisso" na sua mais recente reunião em Moscou com o presidente Vladimir Putin.

Apesar do impasse internacional, o Conselho de Segurança prorrogou a missão de observação da ONU na Síria, mas com duração reduzida à metade. O Conselho solicitou um relatório de Annan num prazo de 15 dias, o que significa que ele apresentará uma posição atualizada na quinta ou sexta-feira.

"Restam 23 dias (para o fim da missão de observação) e o relógio está correndo. Podemos ouvi-lo correr bem alto nas Nações Unidas (...), porque significa que o Conselho de Segurança pode muito bem decidir em 19 de agosto não renovar (a missão)", declarou a fonte.

Sobre a possibilidade de que Annan renuncie à mediação, a fonte disse que o insucesso na solução da crise até agora é culpa da comunidade internacional, não de Annan.

"Não conseguiram chegar a termos com esse problema. Fracassaram em implementar o plano com o qual se comprometeram. Isso não tem a ver com Kofi Annan. Tem a ver com um plano que foi adotado pela comunidade internacional. A comunidade internacional falhou. As partes em terra falharam", disse a fonte.

"É muito frequente em qualquer conflito que o mediador se torne o bode expiatório. E é isso que está acontecendo neste conflito."

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