ANP não deve ceder sobre Jerusalém em negociações, diz Hamas

Chefe do partido diz que negociadores que abrirem mão da cidade 'não representam os palestinos'

estadão.com.br

27 de agosto de 2010 | 11h38

GAZA - Os negociadores palestinos não devem ceder sua posição em relação a Jerusalém ou a qualquer outra faixa territorial controlado pelos palestinos, disse o chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, sobre as negociações diretas de paz que a liderança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) manterá com Israel a partir do próximo dia 2. As informações são do jornal israelense Ha'aretz.

 

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Da Faixa de Gaza, Haniyeh disse que "qualquer negociador que desistir de Jerusalém não representa os palestinos" e acrescentou que "nenhum palestinos em todo o mundo apoiará ações que mantenham negociações absurdas com Israel".

 

"A ocupação não conseguiu acabar com a vontade do povo palestino, mesmo aumentando os ataques e as mortes, mesmo torturando prisioneiros ou isolando o povo do movimento da resistência. Israel está tentando atingir seus objetivos de várias maneiras, e agora tenta a negociação", disse Haniyeh.

 

O status de Jerusalém, porém, é considerado um dos pontos cruciais nas negociações. A cidade é considerada sagrada por ambos os lados e a parte oriental, ocupada por Israel, é reclamada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado.

 

Na segunda, Haniyeh havia dito que os palestinos não ganharão nada com as conversas diretas. Ele disse que a reunião entre Abbas e Netanyahu não restaurarão os direitos dos palestinos ou darão a eles o controle de locais religiosos e pediu que seu povo acreditasse em Deus.

 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisadas há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. No início de maio, porém, os lados anunciaram a retomada das conversas, embora nenhum progresso tenha sido feito até agora.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

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