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Antes de discutir trégua unilateral, Israel ataca abrigo da ONU

Duas pessoas morrem em novo bombardeio no dia em que o gabinete decide sobre cessar-fogo na Faixa de Gaza

Agências internacionais,

17 de janeiro de 2009 | 07h23

Os ministros do gabinete de segurança de Israel deverão discutir uma proposta de cessar-fogo unilateral neste sábado, em meio aos esforços diplomáticos para acabar com um conflito na Faixa de Gaza que já dura três semanas. Mas apesar dos rumores sobre uma possível trégua, Israel lançou novos ataques contra o território palestino neste sábado. Segundo fontes da ONU, uma mulher e uma criança morreram depois que uma bomba atingiu uma escola das Nações Unidas em Beit Lahiya, no norte de Gaza.   Veja também: Assembleia Geral da ONU apoia cessar-fogo em Gaza Sem acordo, Hamas ameaça cometer ataques suicidas Invasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízos Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques      O porta-voz voz Agência de Ajuda da ONU aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness, pediu uma investigação para apurar se a incursão israelense em Gaza deve ser considerada como "crime de guerra". Na sexta-feira, o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, disse que houve progresso suficiente nas conversações na capital egípcia, Cairo, para que Israel aceite um cessar-fogo na Faixa de Gaza. "A diplomacia está agora em marcha acelerada. Espero que estejamos entrando no ato final (da ofensiva)", disse Regev. "Esperamos que isso termine o mais rápido possível." "No minuto em que nós assegurarmos que a solução não será apenas um curativo, no minuto em que entendermos que a situação será de uma paz sustentável, então faremos isso (o cessar-fogo)", afirmou o porta-voz.   Doze ministros votarão nesta noite em Jerusalém um plano para suspender a ofensiva contra o Hamas na Faixa de Gaza. Em Israel, a operação - é considerada uma vitória. Caso a votação confirme o fim da ofensiva, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, poderá tomar posse sem ter de lidar imediatamente com uma guerra generalizada entre israelenses e palestinos. O momento também é chave na política interna de Israel, já que Tzipi, do partido de centro Kadima, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, dos trabalhistas, são candidatos na eleição parlamentar, marcada para o dia 10. Para completar o acordo, Olmert pretende se reunir no domingo com os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para tentar estabelecer mecanismos de vigilância do lado palestino da fronteira. Os israelenses não devem se pronunciar sobre o fim do bloqueio ao território, imposto em 2007, e tampouco sobre a retirada de suas tropas - as duas principais exigências do Hamas para um cessar-fogo.   Representantes de Israel e do movimento palestino Hamas realizaram negociações em separado com mediadores do Egito. O Hamas insiste que um cessar-fogo precisa incluir a retirada das tropas israelenses de Gaza e uma suspensão imediata do bloqueio imposto por Israel ao território. Mas um líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que o grupo não vai aceitar as atuais condições para um acordo. "Apesar de toda a destruição na Faixa de Gaza, eu garanto a você que nós não vamos aceitar as condições de Israel para um cessar-fogo", disse ele em Doha, no Catar. As principais exigências de Israel são o fim do lançamento de foguetes por militantes palestinos em seu território, e a criação de mecanismos que impeçam o contrabando de armas do Egito para a Faixa de Gaza. Os israelenses temem que o grupo militante palestino Hamas volte a se armar no caso de um cessar-fogo na região.     Escola da ONU   Pelo menos dois civis morreram neste sábado num ataque lançado por um tanque israelense próximo a uma escola da ONU na Faixa de Gaza, segundo autoridades palestinas. Uma mulher e um garoto morreram e outras 25 pessoas ficaram feridas no ataque. Outros três civis foram mortos, em localidade próxima à Cidade de Gaza, em um ataque lançado por um navio de Israel, disseram as autoridades.   Além disso, militares israelenses bombardearam de madrugada pelo menos 50 alvos de militantes do Hamas, incluindo instalações para lançamento de foguetes e estocagem de armas, túneis usados para contrabando e bunkers. Não há notícia de ataques lançados por palestinos contra Israel.   A campanha militar de Israel em Gaza teve início em 27 de dezembro, em resposta a ataques com foguete lançados quase diariamente pelo Hamas contra alvos no sul do território israelense. Desde então cerca de 1.200 pessoas - metade das quais civis - foram mortas em Gaza, segundo os palestinos.   Acordo com os EUA   Esta segunda exigência pode ter sido atendida com um acordo fechado mais cedo entre Israel e os Estados Unidos. A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram um memorando de entendimento em Washington no último dia de Rice no cargo, que determina medidas de cooperação em inteligência e logística entre os dois países para cortar o envio de armas para Gaza. O documento, que ainda não teve todos os seus detalhes revelados, também enfatiza a necessidade de medidas de cooperação internacional e regional para evitar que armas também cheguem a Gaza por via marítima.   "Para que um cessar-fogo em Gaza seja viável, deve haver um fim no contrabando de armas", disse a ministra israelense na cerimônia de assinatura. "É por isso que o memorando de entendimento assinado hoje é tão importante, pois é um componente vital para o fim das hostilidades". "Mesmo depois que a ofensiva terminar, nós nos reservamos o direito de nos defendermos contra atividades terroristas em Gaza, incluindo o contrabando de armas", acrescentou Livni. "Isso agora pode ser prevenido pela comunidade internacional pelos termos deste memorando."   A secretária de Estado americana afirmou que os Estados Unidos estão procurando "colocar um fim no sofrimento dos palestinos atingidos pelos conflitos entre o Hamas e Israel". "Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com os palestinos inocentes que estão sofrendo em Gaza", disse Rice. "Um fim sustentável das hostilidades - no lugar de um que entre em colapso em poucos dias ou semanas - é crucial para acabar com este sofrimento."   (Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo, e BBC Brasil)   Matéria atualidada às 09h35.

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