Antes de encontro com potências, Irã reafirma programa nuclear

Adotando uma postura desafiadoraantes de uma reunião de potências mundiais com o Irã da qualdevem participar os EUA, a maior autoridade do governo iranianoafirmou na quarta-feira que seu país continuaria a avançar emseu polêmico programa atômico. O governo norte-americano enviará um representante de altoescalão, o subsecretário de Estado William Burns, para umencontro, em Genebra, entre o Irã e potências mundiais a fim dediscutir a resposta dos iranianos a uma oferta de incentivosfeita para convencê-los a desistir do enriquecimento de urânio. Burns estará ao lado de Javier Solana, chefe da área depolítica externa da União Européia (UE), e de enviados daChina, da Rússia, da França, da Grã-Bretanha e da Alemanha. Areunião com o principal negociador do Irã para as questõesnucleares, Saeed Jalili, ocorre no sábado, afirmou umaautoridade norte-americana em Washington. O governo dos EUA havia dito antes que não se envolverianas pré-negociações com a República Islâmica se este país nãoparalisasse o enriquecimento de urânio, um processo que podeser usado para fins civis ou militares. Mas o Irã recusa-se a congelar a parte mais delicada de seuprograma nuclear, conforme exigem as seis potências para darinício a negociações formais sobre o pacote de incentivos(também econômicos) oferecido ao país islâmico. "Essa conquista (no setor nuclear) pertence a toda a naçãoiraniana e nenhuma potência seria capaz de privar a naçãoiraniana dessa tecnologia e desse direito que lhe é garantido",afirmou o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. "Em relação às negociações, definimos limites bastanteclaros", disse, em um discurso transmitido por rádiosiranianas. Autoridades do Irã já haviam dito que o enriquecimento deurânio era intocável e que continuaria a ser desenvolvido. Os EUA e outras potências temem que o país islâmico utilizea cobertura de um programa civil para fabricar armas atômicas. O Irã, quarto maior exportador de petróleo do mundo, dizque seu programa visa apenas à produção de eletricidade. O impasse alimentou boatos sobre uma confrontação militarcom os EUA ou Israel e ajudou a elevar o preço do petróleo paraníveis recorde. Membros do governo norte-americano não descartaram apossibilidade de apelar para a força no caso de a diplomaciafracassar. Já Israel, que seria a única potência nuclear do OrienteMédio, prometeu impedir que o Irã adquira esse tipo dearmamento. Forças israelenses realizaram, em julho, umexercício militar que seria um ensaio para um ataque contra asinstalações nucleares dos iranianos. O volume de tensão aumentou ainda mais na semana passada,quando o Irã testou mísseis no golfo Pérsico, entre os quais umque, segundo disse, poderia atingir o Estado judaico e basesnorte-americanas no Oriente Médio. O Irã prometeu responder a qualquer ataque investindocontra Tel Aviv e contra instalações e navios norte-americanos. "A mão que atacar a República Islâmica será decepada",disse Khamenei. Esse panorama tenso ajudou a elevar os preços do petróleo,apesar de eles terem caído 6 dólares na terça-feira, para 138dólares o barril, em meio a crescentes temores sobre a saúde daeconomia norte-americana. (Reportagem adicional de Sue Pleming em Washington)

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