Apelo da ONU por trégua é ignorado na Síria

Mais de 40 pessoas morreram na quinta-feira em confrontos na Síria, segundo ativistas da oposição, num sinal de que o apelo por trégua feito pelo Conselho de Segurança foi ignorado.

OLIVER HOLMES E CRIS, REUTERS

22 Março 2012 | 18h51

No pior incidente, 10 civis -incluindo três crianças e duas mulheres- morreram quando o microônibus em que viajavam foi alvejado na localidade de Sermeen (norte), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha.

A entidade disse que não sabia precisar a origem dos disparos contra o grupo, que tentava fugir para a Turquia. Outros ativistas atribuíram o ataque ao Exército, que combate insurgentes na região.

Dezenas de civis foram mortos também em outras partes da província de Idlib e nas cidades de Homs, Hama e Deraa, segundo o Observatório. Na província de Homs, acrescentou o grupo, um confronto matou cinco rebeldes armados e sete soldados.

É impossível verificar de forma independente os relatos vindos da Síria, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa internacional.

O governo de Bashar al Assad há um ano reprime com violência protestos por sua renúncia, e nos últimos meses uma insurgência armada se intensificou. Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma declaração apoiando os esforços de paz do enviado especial Kofi Annan, o que inclui a instauração imediata de uma trégua e acesso humanitário a civis em zonas conflagradas.

Mas o governo sírio parece ter ignorado a declaração, que não tem força de lei.

A ONU estima que 8.000 pessoas já tenham morrido durante a revolta, e o governo sírio diz que "terroristas armados" já mataram 3.000 soldados e policiais.

O Exército tem feito avanços nas últimas semanas, varrendo rebeldes armados de seus redutos em toda a Síria. Aparentemente, no entanto, os militares têm dificuldades para consolidar suas posições.

Fontes da oposição disseram que os tanques voltaram a bombardear um bairro revoltoso em Hama, no nordeste da Síria. Segundo essas fontes, a ofensiva militar matou 20 pessoas em 48 horas,

Em Sermeen, perto da fronteira turca, o Exército endurece o cerco atacando a cidade com foguetes e metralhadoras, mas sem conseguir entrar, por causa da resistência armada, conforme relato do diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O grupo relatou combates intensos também em Al Qusair, perto da fronteira com o Líbano. Três residentes teriam morrido nos combates, e quatro soldados em emboscadas.

(Reportagem adicional de Khaled Yacoub Oweis em Amã, Steve Gutterman em Moscou, Steve Scherer em Roma e Madeline Chambers em Berlim)

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