Apesar de críticas da agência nuclear, Irã ressalta cooperação

AIEA afirma que Teerã continua enriquecendo urânio; país afirma que abriu instalações nucleares para inspeção

Associated Press e Efe,

20 de novembro de 2008 | 11h36

 Um alto responsável do programa nuclear iraniano disse nesta quinta-feira, 20, que o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o Irã, cujo conteúdo foi revelado na quarta-feira, em Viena, "tem muitos pontos positivos", como o acesso necessário e suficiente às instalações nucleares. A AIEA afirmou que as negociações sobre o programa nuclear iraniano estão em um "impasse" e que Teerã continua com seu programa de enriquecimento de urânio. Esse processo pode ser usado tanto para a fabricação de armas nucleares como para a produção de energia. O governo iraniano alega que tem apenas fins pacíficos.   Veja também: Especial: O programa nuclear do Irã    A agência estatal iraniana Irna afirmou na noite de quarta-feira que o país "continuará sua cooperação" com a agência da ONU. O programa nuclear do Irã é alvo de críticas de países ocidentais como os Estados Unidos e já recebeu sanções do Conselho de Segurança da ONU. Uma reportagem da Irna sustenta que o governo iraniano permitiu que inspetores da AIEA tivessem acesso a suas instalações nucleares. O funcionário Mohammad Saeedi sustenta no texto que isso "continuará no futuro".   Saeedi, assessor do organismo iraniano que dirige as atividades nucleares do país, disse que o documento destaca a transparência do regime iraniano, apesar de o relatório da AIEA ressaltar "a falta de cooperação do Irã". Além disso, o responsável iraniano ressaltou que "o relatório afirma que não houve nenhum desvio de material nuclear" e que este está sob "controle total" do organismo internacional.   O Conselho de Segurança da ONU exige ao Irã há dois anos que suspenda o enriquecimento de urânio para poder criar um ambiente de confiança, já que este programa pode ter uso tanto civil quanto militar. No entanto, os técnicos iranianos continuam introduzindo urânio em gás (UF6, hexafluoreto de urânio) nas centrífugas para produzir urânio enriquecido. No total, já há instaladas, e em parte operacionais, cerca de 6 mil centrífugas de gás para o enriquecimento de urânio, um material legal para a Justiça internacional, mas especialmente delicado por causa da possibilidade de uso militar.

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