Apoio russo a sanções é 'inaceitável', diz Irã

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quarta-feira que o apoio da Rússia a novas sanções da ONU contra o Irã é inaceitável e pediu que o presidente russo, Dmitry Medvedev, repensasse seu apoio à posição de Washington.

REUTERS

26 Maio 2010 | 10h07

O Irã foi desprezado pela Rússia e pela China na semana passada quando, horas depois de ter oferecido enviar parte de seu urânio enriquecido ao exterior, Washington anunciou que todos os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU haviam apoiado um esboço para novas sanções.

Fazendo uma rara crítica ao governo russo, Ahmadinejad usou um discurso televisionado para criticar Medvedev que, segundo ele, tinha se curvado diante da pressão norte-americana para apoiar as sanções que estão em andamento.

"Se eu fosse o presidente russo, quando tomasse decisões sobre assuntos relacionadas à uma grande nação (o Irã)... eu agiria com mais cautela, eu pensaria mais", disse Ahmadinejad.

"A nação iraniana não sabe: eles (os russos) são nossos amigos e vizinhos? Eles estão conosco ou estão buscando outra coisa?"

Ele acrescentou que a Rússia não deveria apoiar países que "estiveram contra nós, demonstraram animosidade contra nosso país por 30 anos", numa referência aos Estados Unidos, país que vem liderando uma iniciativa diplomática mundial por novas sanções.

"Isso não é aceitável para a nação iraniana. Espero que eles prestem atenção e tomem medidas de correção."

"Tenho esperança de que os líderes e as autoridades russas prestarão atenção a essas palavras amistosas e tomarão medidas de correção e não levem a nação iraniana a classificá-los entre seus inimigos históricos", disse Ahmadinejad.

O presidente iraniano disse que a troca de combustível nuclear acordada com a Turquia e o Brasil na semana passada e apresentada à Agência Internacional de Energia Atômica na segunda-feira era uma "oportunidade histórica" para pôr fim ao impasse com o Ocidente sobre o programa nucelar iraniano que o presidente dos EUA, Barack Obama, deveria aproveitar.

"É improvável que no futuro a nação iraniana dará uma nova oportunidade ao sr. Obama", disse.

Washington e muitos países europeus estão preocupados que o enriquecimento de urânio do Irã tenha como objetivo o desenvolvimento da capacidade de produção de armas nucleares. O Irã afirma que o objetivo é puramente pacífico e diz que o país tem um direito soberano de buscar tecnologia nuclear.

Críticos no Ocidente do acordo com a Turquia e o Brasil dizem que o Irã ainda teria material suficiente para construir uma bomba, se for altamente enriquecido.

(Reportagem de Robin Pomeroy e Ramin Mostafavi)

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