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Após 5 anos da invasão, Bush ressalta que missão é crucial

Presidente deve defender guerra impopular em discurso de aniversário da incursão que derrubou Saddam

Reuters, Efe e Associated Press,

19 de março de 2008 | 08h38

Cinco anos após o lançamento da invasão americana no Iraque, o presidente George W. Bush deve destacar o sucesso que os Estados Unidos tiveram em sua missão. Bush diz que não tem nenhuma dúvida por ter travado a impopular guerra, apesar do "alto custo em vidas e em dinheiro e nesta quarta-feira, 19, insistirá que o aumento de tropas norte-americanas no país abriu a porta para uma "importante vitória estratégica" contra os militantes islâmicos.   Veja também: Guerra do Iraque faz 5 anos Ocupação do Iraque    Demonstrações contra a guerra foram planejadas em Washington no dia do aniversário da invasão, protestando pela morte dos cerca de 4 mil soldados mortos. Excertos do seu discurso que será feito nesta quarta no Pentágono foram liberados na noite de terça-feira pela Casa Branca, e ele deve ressaltar os ganhos na segurança após o aumento das tropas exigido por ele no começo do ano passado, ao pedir aos norte-americanos paciência em uma guerra que entra em seu sexto ano   "Os sucessos que estamos vendo no Iraque são inegáveis", dirá Bush em uma avaliação otimista da campanha liderada pelos EUA. Com menos de 11 meses para o fim do seu segundo mandato e taxas de aprovação perto do nível mínimo da sua presidência, Bush está tentando angariar apoio para a impopular guerra, que prejudicou a credibilidade dos EUA no exterior e que deve definir o legado dele.   Em 2003, os EUA invadiram o Iraque sob alegação de que o regime do ditador Saddam Hussein desenvolvia armas de destruição em massa e além disto tinha ligações com a rede terrorista fundamentalista islâmica Al-Qaeda. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas e na semana passada um estudo do Pentágono provou que não havia ligação entre o regime secularista do Partido Baath, de Saddam, e a Al-Qaeda.   Segundo estimativas conservadoras, feitas pelo Ministério da Saúde do Iraque, 151 mil pessoas foram mortas no conflito de março de 2003 a junho de 2006. Outras cinco milhões de pessoas viraram refugiadas. Informações do Exército dos EUA indicam que 3,990 militares americanos foram mortos no conflito até a semana passada. A guerra custou pelo menos US$ 500 bilhões aos contribuintes americanos.   Com seus discursos, Bush persegue um duplo objetivo: trazer eventuais dados favoráveis sobre o conflito à tona e tratar de jogar para escanteio os problemas na economia que, segundo pesquisas de opinião, roubaram o protagonismo do Iraque em debates eleitorais. O governante tem a seu lado números que apontam para uma relativa redução da violência no país asiático, apesar de incidentes como o recente assassinato do arcebispo caldeu Paulos Faraj Rahho, que havia sido seqüestrado dias antes, além do número de soldados mortos na missão.   Uma pesquisa do instituto independente Pew Research Center divulgada nos últimos dias revela que, apesar de a maioria dos americanos ainda ser contrária à guerra, 53% deles estão otimistas agora com relação à hipótese de seu país acabar conquistando seus objetivos no Iraque, 11 pontos percentuais a mais que em setembro do ano passado. Os que dizem acreditar que a guerra "vai bem" somam agora 48% dos entrevistados, depois de terem sido apenas 30% na pesquisa anterior.   Outra enquete, publicada pelo diário USA Today, indica que 38% dos americanos apostam que no futuro se considerará que a guerra foi principalmente um êxito, contra 36% que afirmam acreditar no contrário e 18% que opinam que será um fracasso absoluto.   Economia x Iraque   Entre os democratas, o esforço está voltado agora em vincular o Iraque ao mau desempenho da economia. Em sua entrevista coletiva semanal, a presidente da Câmara de Representantes (Baixa), Nancy Pelosi, assegurou que com os cinco anos do conflito no país, tudo parece ter se "desenvolvido (no Iraque) com um custo significativo para a economia americana".   Uma análise do prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz (2001) calcula que o custo da guerra será superior a US$ 3 trilhões caso sejam levados em conta os custos no longo prazo. Stiglitz culpa o conflito também em parte pelos altos preços do petróleo no mercado internacional.   A guerra, segundo Pelosi, "levou a uma alta nos preços do petróleo que resultou em um déficit brutal e desviou fundos que deveriam ter sido investidos aqui, nos Estados Unidos". "Evidentemente, necessitamos de uma nova direção na guerra do Iraque", completa a dirigente democrata. De forma similar se pronunciou o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que afirmou que "não se pode separar a economia da longa e sangrenta guerra civil no Iraque".

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