Após atentado com escavadeira, Israel vive dilema em Jerusalém

Um ataque mortífero executado por ummorador palestino de Jerusalém, com uma retroescavadeira,deixou Israel nesta quinta-feira imerso no dilema de comomanter a segurança na cidade sem contrariar a premissa de queela não pode ser dividida. Israel capturou a parte árabe de Jerusalém na Guerra dosSeis Dias, em 1967, e a anexou anos depois, bem como algunsvilarejos na vizinhança. Com essa ação, que não é reconhecidapela comunidade internacional, os palestinos moradores da parteoriental adquiriram documentos de identidade israelenses quelhes dão ampla liberdade de movimento. Ao lhes conceder os mesmos documentos usados por judeus,Israel enviou o sinal de que Jerusalém Oriental --que ospalestinos querem transformar em capital de um futuro Estadoque abrangeria a Cisjordânia e a Faixa de Gaza-- é a "capitalindivisível" do Estado judaico. Mas o ataque de quarta-feira na movimentada Rua Jaffa, emJerusalém, no qual três israelenses morreram, e o tiroteio demarço em um seminário judaico também na parte ocidental dacidade, que deixou oito israelenses mortos, fizeram emergiressa preocupação. Ambos os ataques foram realizados por palestinos de áreasque Israel considera parte de Jerusalém Oriental.Diferentemente dos palestinos da Cisjordânia, onde Israelconstruiu uma polêmica barreira, os dois podiam trabalhar eviajar em toda Jerusalém. Depois do incidente de quarta-feira, o primeiro-ministro deIsrael, Ehud Olmert, propôs a demolição de casas de moradoresde Jerusalém Oriental que executem ataques contra israelenses,disseram assessores do governo. "Temos de usar uma punição que seja dissuasiva. Temos deagir com mão pesada, negar direitos sociais e destruirimediatamente as casas de todos os terroristas de Jerusalém",disse Olmert, segundo um funcionário do governo. Mas notificações de demolição vão provavelmente resultar emações judiciais de palestinos de Jerusalém Oriental em cortesisraelenses, bem como protestos internacionais, sob o argumentode que a destruição de uma casa que o agressor dividia comoutras pessoas de sua família é uma punição coletiva. O vice de Olmert, Haim Ramon, disse que a redefinição dotraçado da barreira na Cisjordânia para incluir vilaspalestinas que Israel considera parte de Jerusalém Orientalpoderia ser uma solução. Os dois agressores vieram decomunidades como essas. "Esses vilarejos palestinos nunca foram parte de Jerusalém.Eles foram anexados à cidade em 1967. Nenhum israelense vailá", disse Ramon à rádio militar israelense, repetindocomentários feitos por Olmert vários meses atrás. No entanto, isso atrairia a ira da direita israelense elevaria a uma mudança na política do governo de Israel em ummomento em que a configuração da futura fronteira de umaPalestina é questão central nas conversações mediadas pelosEstados Unidos. (Reportagem adicional de Mohammed Assadi)

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