Após bombardeio de Israel, palestinos voltam a reparar túneis

Força Aérea israelense ataca passagens em Rafah usadas para contrabando na fronteira com o Egito

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 11h11

Horas depois da força aérea israelense realizar um bombardeio contra túneis na fronteira entre Gaza e Egito, os palestinos voltaram a trabalhar nos reparos das passagens. Os ataques aéreos da manhã desta quarta-feira, 28, atingiram a rede de túneis usada para contrabandear armas, dinheiro e vários produtos, e também para a passagem de pessoas entre Gaza e o Egito e vice-versa. Israel bombardeou com força os túneis durante a guerra, porém os contrabandistas continuaram a trabalhar após a trégua.   Veja também: Emissário de Obama tenta consolidar trégua em Gaza Hamas nega querer controlar fundos para reconstruir Gaza Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza    Por causa do bloqueio israelense, os túneis servem também para o tráfego de alimentos e outros produtos, tornando-se essenciais para os 1,5 milhão de habitantes da região. Muitos desses túneis contam com sistemas sofisticados e parecem ter resistido intactos às três semanas de bombardeios. "Eles jogaram duas ou três bombas. Mas, olhe, todo mundo ainda está trabalhando", disse um escavador que se identificou com o apelido de Abu Ali e disse ter 30 anos.   Segundo a BBC, palestinos que moram próximo à cidade de Rafah afirmaram terem ouvido fortes explosões. Muitos entraram em pânico e fugiram de suas casas. Este foi o segundo ataque aéreo israelense contra a região desde que Israel e o Hamas declararam um cessar-fogo nos conflitos, há pouco mais de uma semana. Um soldado foi morto na terça-feira perto da fronteira com Gaza por uma bomba. Três soldados ficaram feridos. Israel respondeu rapidamente e lançou um ataque aéreo que feriu um militante do Hamas.   Segundo Mark Regev, porta-voz do premiê Ehud Olmert, Israel se protegerá após um ataque que matou o soldado do país perto da Faixa de Gaza. "Israel quer que a calma no sul continue, mas o ataque mortífero de ontem vindo de Gaza foi uma tentativa de deliberadamente atrapalhar a calma". "Em face de provocação tão violenta, Israel agirá para se proteger". Os comentários ocorrem horas antes da chegada de Mitchell a Israel, como parte de um tour do funcionário norte-americano pelo Oriente Médio.   Israel retirou suas tropas de Gaza, porém prometeu retaliar duramente caso haja qualquer ataque de militantes. Como mostra da seriedade da situação, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, cancelou uma viagem a Washington para discutir em casa a crise, segundo funcionários do ministério.   O gabinete israelense se reunirá nesta quarta-feira para analisar que resposta será dada ao ataque da terça-feira. Já Mitchell notou que é fundamental que o cessar-fogo "seja estendido e consolidado". Obama disse que a função do enviado era ouvir os dois lados e a nova administração deveria então elaborar uma estratégia para avançar nos esforços de paz entre israelenses e palestinos.   Os novos incidentes violentos lançam uma sombra sobre a missão norte-americana. A instabilidade é a pior desde Israel e o Hamas declararam unilateralmente uma trégua, no dia 18, encerrando a ofensiva israelense de 22 dias, que deixou cerca de 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos. Além dos mortos, a ofensiva israelense deixou um prejuízo estimado de US$ 2 bilhões em Gaza. A comunidade internacional pressiona agora por um cessar-fogo duradouro e avalia como reconstruir o território.   Reconstrução   Quem vê as grandes escavadeiras trabalhando no chamado Corredor Filadélfia, que separa a Faixa de Gaza da península do Sinai (Egito), não imagina que haja algo de clandestino nessa atividade. A apenas 50 metros dali, guardas egípcios assistem a tudo. "Estou assustado porque tenho de trabalhar. Que mais posso fazer? Esse é o único emprego", disse Mohammed, 17 anos, acrescentando que pretende usar o túnel onde trabalha para trazer roupas para Gaza.   O Egito, que em geral mantém fechado o acesso fronteiriço oficial, em Rafah, aceitou realizar uma ação contra o contrabando, com assistência técnica internacional, mas ainda não há um plano definido para isso. O combate internacional ao contrabando de armas para o Hamas em Gaza foi uma das principais exigências de Israel para declarar uma trégua. Já o Hamas exige que Israel suspenda o bloqueio econômico em vigor desde 2007, quando o grupo islâmico expulsou as forças da facção laica Fatah do território.

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