Hadi Mizban/AP
Hadi Mizban/AP

Após cem mortes em manifestações, Iraque amanhece sem toque de recolher neste sábado

O movimento de protesto, que surgiu nas redes sociais, denuncia corrupção, desemprego e falta de serviços públicos em um país com quase quatro décadas de conflito

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 08h24

A capital do Iraque, Bagdá, acordou neste sábado, 05, sem toque de recolher, mas em meio a uma forte tensão, após quatro dias de manifestações violentas que deixaram cerca de cem mortos em todo o país. São esperados novos protestos após a chamada do clérigo xiita Moqtada Sadr para a renúncia do governo. De acordo com uma avaliação da comissão de direitos humanos do governo iraquiano, 93 pessoas morreram desde terça-feira, a maioria manifestantes, e 4 mil ficaram feridas. O movimento de protesto, que surgiu nas redes sociais, denuncia corrupção, desemprego e falta de serviços públicos em um país que surgiu há menos de dois anos de quase quatro décadas de conflito.

Na manhã de sábado, as lojas normalmente abriam em Bagdá depois que o toque de recolher imposto na quinta-feira foi suspenso. No entanto, o acesso à internet ainda está bloqueado. As pessoas se reúnem em cafés enquanto os funcionários do governo limpam os restos de pneus que sobraram dos atos violentos da noite. No centro de Bagdá, as ruas que levam à Praça Tahrir, de onde veio o protesto, estão com forças de segurança e veículos blindados.

           

A iniciativa do clérigo xiita Moqtada Sadr pode mudar a situação: ou ela revive a mobilização, que exige a queda do poder, ou leva os debates no Parlamento a uma saída do governo. O Parlamento está marcado para se reunir à tarde, embora o início das discussões tenha sido adiado depois que os 54 deputados da coalizão Moqtada Sadr, o primeiro bloco da assembléia, o boicotaram.

Depois de violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança na sexta-feira na capital, e abundantes disparos ao longo do dia, os moradores temem novas mobilizações. Segundo médicos, uma grande parte dos mortos foi baleada, incluindo seis policiais que morreram durante os quatro dias de protestos. As autoridades pediram aos manifestantes tempo para implementar uma série de reformas que melhorariam as condições de vida dos 40 milhões de habitantes do país. Moqtada Sadr pediu na sexta-feira a renúncia do governo do primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, no poder por um ano, "para evitar mais derramamento de sangue" e a organização das eleições.

Nas ruas, os manifestantes criticam fortemente os políticos. As autoridades iraquianas, muitas delas no poder há 16 anos, viram um fenômeno sem precedentes surgir, explica Fanar Haddad, especialista nos conflitos da região. "São manifestações anti-sistema, é a primeira vez que as pessoas são ouvidas reivindicando a queda do regime", afirma o pesquisador. Até então, afirma ele, os protestos reivindicavam eletricidade e água potável./ AFP

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