Após críticas dos EUA, Netanyahu defende assentamento

Pelo menos 20 novas residências devem ser construídas em Jerusalém Ocidental

REUTERS

10 de janeiro de 2011 | 14h00

JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, dizendo que os judeus têm o direito de viver em qualquer lugar em Jerusalém, defendeu na segunda-feira um projeto de construção de assentamento que foi criticado pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

Máquinas de terraplanagem israelenses demoliram um hotel decrépito no domingo, limpando um terreno para a construção de 20 novas residências para judeus em Jerusalém Oriental, uma área capturada por Israel em uma guerra de 1967 e que os palestinos querem como capital de um futuro Estado seu.

Hillary, que está em Abu Dhabi num giro pelos aliados árabes dos EUA no Golfo, descreveu a ação israelense como "iniciativa preocupante" e disse que ela "enfraquece os esforços de paz" que visam a criação de um Estado palestino lado a lado com Israel.

Um comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu não fez referência direta à crítica expressa por Hillary, mas disse que "não deve haver nenhuma expectativa de que o Estado de Israel proíba judeus de comprarem propriedade particular em Jerusalém".

O Hotel Shepherd, derrubado como parte de um projeto anunciado primeiramente em 2009, foi declarado "imóvel de dono ausente" por Israel quando este capturou e anexou Jerusalém Oriental. Israel vê Jerusalém inteira como sua capital, reivindicação essa que não é reconhecida internacionalmente.

A propriedade do hotel foi transferida para uma empresa israelense, que em 1985 a vendeu a Irving Moskovitz, patrono americano de colonos judeus.

"As ações empreendidas ontem no Shepherd Hotel foram feitas por indivíduos particulares, dentro do quadro das leis israelenses. O governo israelense não teve envolvimento", disse o comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu.

Mas o comunicado acrescentou que "nenhum governo democrático" no mundo proibirá judeus de comprarem imóveis e que "Israel certamente não o fará".

"Assim como os residentes árabes de Jerusalém podem comprar ou alugar imóveis em bairros predominantemente judaicos de Jerusalém, judeus podem comprar ou alugar imóveis em bairros predominantes árabes de Jerusalém", diz o comunicado.

O Ministério do Exterior egípcio condenou a demolição do hotel e disse que "a política de assentamentos do governo israelense atual só vai inflamar a situação mais ainda", "não apenas na Palestina, mas nos mundo árabe e islâmico."

O projeto de construção no antigo hotel, cuja propriedade é contestada, suscitou reações de raiva palestinas no momento em que Washington procura reativar as conversações de paz suspensas devido a uma disputa em torno das construções em assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Cerca de 190 mil israelenses vivem em Jerusalém Oriental e áreas adjacentes da Cisjordânia que Israel anexou ao município de Jerusalém. Jerusalém Oriental tem 250 mil residentes palestinos.

(Por Jeffrey Heller; reportagem adicional de Andrew Quinn em Abu Dhabi e da sucursal do Cairo)

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