Após estado de exceção, opositores são detidos no Paquistão

Presidente da Liga Muçulmana, Javed Hashmifoi, foi detido; premiê anuncia possível adiamento das eleições

EFE,

04 de novembro de 2007 | 04h36

O presidente interino daopositora Liga Muçulmana do Paquistão, Javed Hashmi, foi detido neste domingo, 4, junto com cerca de dez ativistas da legenda, liderada pela exilado ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. A operação acontece em meio ao estado de exceção decretado no sábado pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro, Shaukat Aziz, afirmou as eleições nacionais podem ser adiadas em mais de um ano. Veja também:Bhutto retorna em meio a estado de emergênciaPresidente paquistanês suspende Constituição EUA dizem que emergência é frustranteMusharraf nomeia presidente da Suprema Corte Crise política no Paquistão atinge sua pior fase Após golpe, Musharraf suspende Constituição  Segundo fontes ligadas ao partido, Hashmi foi detido por forças de segurança durante uma onda de operações de busca por políticos em diferentes cidades do país, entre elas Islamabad, Karachi, Lahore, Peshawar e Quetta. A detenção dos ativistas da Liga Muçulmana do Paquistão se une à do líder do partido Tehreek-e-Insaf, Imran Khan, posto em prisão domiciliar na noite de sábado, 3, após denunciar a prisão domiciliar de jornalistas. A ação policial acontece depois de Musharraf suspender a Constituição paquistanesa e declarar estado de exceção sob o argumento de que o país vive uma situação "grave" causada pelo aumento da violência de extremistas islâmicos.  O presidente, que também alegou a paralisia do governo por conta da suposta intervenção do Judiciário, tomou a decisão dias antes de a Suprema Corte paquistanesa julgar a validade de sua vitória nas eleições de outubro. O tribunal apura se Musharraf poderia ter concorrido à reeleição, uma vez que permaneceu como chefe do Exército paquistanês. Um dos principais críticos do governo, o presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, foi destituído pelo presidente no sábado. Neste domingo, Aziz afirmou que o governo do Paquistão está comprometido em realizar eleições nacionais, mas ainda não sabe quando. "Estamos comprometidos em assegurar que as eleições aconteçam e que o processo democrático floresça no Paquistão", disse Aziz a jornalistas. "Como resultado do que aconteceu poderá haver algumas diferenças de cronograma, mas nenhuma decisão foi tomada ainda."  Restrições à imprensa Além das detenções, a polícia foi neste domingo aos escritórios de uma rede de televisão privada em Islamabad para confiscar seu equipamento, indicou uma fonte do canal. Todas as televisões privadas de Islamabad viram suas transmissões bloqueadas quando foi declarado o estado de exceção. Além disso, o regime de Musharraf proibiu que os jornais impressos e eletrônicos publicassem informações que "difamem, ponham em ridículo ou atinjam a reputação" do chefe do Estado, dos membros das Forças Armadas ou dos órgãos executivo, judicial e legislativo.

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