Após mortes na fronteira, Egito convoca embaixador em Israel

O Egito convocou de volta seu embaixador em Israel neste sábado, dizendo que a morte de cinco seguranças egípcios durante uma perseguição israelense na fronteira entre os países era uma violação do acordo de paz de 1979 assinado com o Estado judaico.

MARWA AWAD, REUTERS

20 de agosto de 2011 | 13h39

Israel disse que lamentava pelas mortes, ocorridas após ataques dentro de Israel que deixaram oito mortos e causaram a maior crise entre os dois países desde a queda do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro.

Israel afirmou esperar que, após os comentários do ministro da Defesa, Ehud Barak, o enviado egípcio permaneceria em Tel Aviv. "Esperamos que o embaixador não seja chamado", afirmou Yigal Palmor, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. "Ele ainda está aqui".

O Egito diz que "Israel tem responsabilidade política e legal sobre esse incidente, que constitui uma violação do tratado de paz entre Egito e Israel", informou o gabinete em comunicado oficial postado em seu website.

Procurando amenizar a tensão com o Cairo, Barak disse lamentar as mortes e ter instruído o Exército israelense a conduzir uma investigação conjunta com o Egito sobre o incidente.

O Ministério das Relações Exteriores egípcio vai convocar o diplomata para "propagar o protesto oficial do Egito sobre o tiroteio do lado israelense da fronteira que deixou vítimas dentro do Egito", afirmou uma autoridade da pasta à agência de notícias estatal Mena. Ela afirmou que o embaixador israelense não estava no Cairo.

A autoridade acrescentou que o Egito planeja pedir uma "investigação conjunta formal para desvendar as circunstâncias do incidente, estabelecer os responsáveis e tomar medidas legais para proteger os direitos das vítimas e baixas egípcias".

Centenas de egípcios protestaram na embaixada israelense no Cairo durante a noite, queimando bandeiras de Israel e exigindo a expulsão do embaixador.

Uma autoridade da Defesa israelense disse que o país quer manter seu acordo de paz com o Egito, visto como "um elemento fundamental de existência" no Oriente Médio.

"Uma coisa é certa: não há uma só pessoa em Israel que queira ferir policiais ou soldados egípcios", afirmou a uma rádio israelense Amos Gilad, um oficial de ligação com os palestinos e o Egito.

Ele disse que a investigação ainda não determinou quem matou os seguranças egípcios.

Israel brevemente imputou a culpa pelo ataque de quinta-feira a um grupo palestino independente do Hamas. O Estado judaico matou o líder da facção em um ataque aéreo na Faixa de Gaza na quinta e lançou mais de uma dezena de outras ofensivas na sexta-feira.

O Egito já convocara seu embaixador em Tel Aviv em outras ocasiões, incluindo a invasão de Israel ao Líbano, em 1982, e o grande bombardeio judaico sobre a Faixa de Gaza, em 2000.

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