Após relatório da AIEA, Ocidente planeja sanções contra o Irã

Rússia, Alemanha, França e EUA mostraram-se favoráveis a sanções contra programa nuclear do país islâmico

estadao.com.br,

19 de fevereiro de 2010 | 12h21

As potências ocidentais que negociam com o Irã sobre o controvertido programa de enriquecimento de urânio da República Islâmica mostraram-se preocupadas com a falta de cooperação do país com a Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA), que redigiu um relatório denunciando graves suspeitas de que o projeto nuclear iraniano tem fins militares.

 

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O ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou que Moscou está preocupada com a falta de transparência iraniana. "Preocupa-nos muito que o Irã se negue a cooperar com a AIEA e não podemos nos resignar a eles", disse o chefe da diplomacia russa em entrevista à rádio Eco de Moscou.

 

Lavrov acrescentou que Rússia e EUA têm a mesma posição no que se refere à não-proliferação de armas nucleares, mas diferentes enfoques de como ela deve ocorrer, em particular em relação ao Irã. "Não concordamos 100%", declarou Lavrov ao acrescentar que, "ao contrário dos EUA, o Irã é um vizinho próximo da Rússia".

 

Pouco antes, o porta-voz da Chancelaria russa, Andrei Nesterenko, lembrou a Teerã que existe a possibilidade de sanções caso o país não coopere. Ao mesmo tempo, Nesterenko indicou que o Conselho de Segurança da ONU atualmente não elabora uma resolução com sanções contra o Irã.

 

No entanto, o diplomata russo ressaltou que, "nas atuais circunstâncias, não se pode excluir totalmente" que o Conselho de Segurança comece a trabalhar em uma resolução nesse sentido.

 

A Rússia, ao lado da China, era considerada uma das nações do Conselho de Segurança que poderia vetar possíveis sanções ao país islâmico, dada sua proximidade com o Irã. As últimas ações e declarações do governo russo, porém, apontam para uma mudança de postura que pode levar à tomada de atitudes concretas contra o programa nuclear.

 

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A Alemanha também expressou sua "grande preocupação" com AIEA. O porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm, ressaltou que é possível constatar apenas que as autoridades de Teerã continuam sem colaborar na medida do necessário com a agência da ONU. Segundo Wilhelm, não resta alternativa à comunidade internacional a não ser ditar sanções amplas contra o governo de Teerã.

 

Após ressaltar que a Alemanha "apoia decididamente" essa alternativa, o porta-voz descartou a possibilidade de recorrer a uma ação militar para acabar com o polêmico programa nuclear do Irã. "Consideramos que apenas uma solução diplomática é uma opção aceitável", disse Wilhelm.

 

A França se disse disposta a atuar "com determinação" para responder à falta de cooperação do Irã, segundo um porta-voz do Ministério de Exteriores. "O relatório da AEIA confirma com precisão as graves preocupações da comunidade internacional. Mostra o quão urgente é atuar com determinação pare responder À ausência de cooperação do Irã", disse o representante.

 

O governo dos EUA, o primeiro a se pronunciar após a divulgação do relatório da AEIA, afirmou na quinta que o Irã falhou novamente com suas obrigações internacionais. A bordo de um avião presidencial com destino a um evento político, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse a repórteres que haveria consequências se o Irã continuar a ignorar seus compromissos.

O relatório da AIEA sugeriu que pela primeira vez que Teerã retomou o desenvolvimento de armas nucleares, ou nunca o interrompeu quando os EUA acharam que o país tivesse cessado a construção de ogivas nucleares. Há três anos, a inteligência americana afirmou que o Irã aparentava ter suspenso seus trabalhos nucleares em 2003.

 

(Com informações da agência Efe)

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