Após retirada, Israel ameaça realizar novas ações em Gaza

Premiê israelense afirma que novas operações serão realizadas; número de mortos na ofensiva chega a 117

Agências internacionais,

03 de março de 2008 | 09h08

Israel retirou na manhã desta segunda-feira, 3, seus tanques e blindados do norte da Faixa de Gaza após uma ofensiva de seis dias que deixou pelo menos 117 mortos e que encerrou as negociações por um acordo de paz entre israelenses e palestinos. O Hamas comemorou a retirada e considerou-se o vencedor nos violentos confrontos com o Exército de Israel, que afirma que promoveu a ofensiva para contar o disparo de foguetes contra alvos israelenses. O primeiro-ministro Ehud Olmert disse, após o retorno de tropas do país da Faixa de Gaza, que futuras ações militares israelenses ainda devem acontecer.  Veja também:Veja as imagens  Análise: Hamas delira, e o governo de Israel expõe sua fraqueza No total, mais de 117 pessoas morreram, mais da metade civis, e pelo menos 350 ficaram feridos nos constantes ataques aéreos e terrestres lançados por Israel desde quarta-feira contra casas e prédios do movimento islâmico Hamas, segundo o responsável do serviço de emergências em Gaza, Moawiya Hasanin. "Estamos no meio de uma ação de combate. O que aconteceu nos últimos dias não foi um evento isolado", disse Olmert a uma comissão do Parlamento, segundo uma autoridade israelense. "O objetivo é reduzir o lançamento de foguetes e enfraquecer o Hamas", acrescentou o primeiro-ministro. Segundo fontes médicas palestinas, após a marcha das tropas israelenses sete palestinos estavam mortos ao leste da cidade de Jabalya, no norte de Gaza. Quatro deles foram vítimas de ataques aéreos nesta madrugada, enquanto os corpos dos outros três, incluindo um enfermeiro, foram encontrados entre os escombros ao amanhecer. Apesar ao desequilíbrio de forças e baixas, o Hamas se vê como vencedor da batalha, na qual dezenas de milicianos enfrentaram os soldados israelenses. "Gaza será sempre o túmulo das forças de ocupação", disse um de seus dirigentes, Sami abu Zuhri. O movimento islamita convocou manifestações populares em Gaza para "celebrar a derrota do Exército de ocupação israelense", enquanto seu rival Fatah protestou na Cidade de Gaza contra a ofensiva. O escritório de informação militar israelense anunciou a retirada das tropas, mas não quis comentar o motivo da decisão. O líder palestino moderado, Mahmoud Abbas,interrompeu as negociações por um acordo de paz com Israel, enfraquecendo a comissão de paz que chega nesta semana ao Oriente Médio liderada pela Secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice. A ofensiva israelense foi amplamente condenada pela comunidade internacional e as Nações Unidas acusaram o governo do uso excessivo da força em Gaza. O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, afirmou que uma incursão em grande escala ainda é possível, e Israel pode tentar derrubar o regime islâmico do Hamas em Gaza. "Nós usaremos a força para mudar a situação", disse Barack na noite de domingo.

Tudo o que sabemos sobre:
Ehud OlmertGazaIsraelpalestinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.