Após vitória apertada, Livni tentará compor coalizão em Israel

Chanceler ganhou eleição para liderar partido governista, o primeiro passo para suceder Ehud Olmert

Redação com agências internacionais

18 de setembro de 2008 | 09h31

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, venceu as prévias do partido governista Kadima, que lidera a coalizão que governa o país,  com uma vantagem de apenas 1,1% sobre seu adversário, o atual ministro dos Transportes e ex-chefe do Estado Maior, Shaul Mofaz. Ao contrário de todas as pesquisas, que previam uma vantagem significativa, de pelo menos 10% em favor da chanceler, a diferença entre ela e seu adversário foi de cerca de 430 votos. Veja também: Inexperiência é barreira para a popular Livni   A eleição de ontem definiu um novo líder do partido do governo depois que o atual premiê e chefe do Kadima, Ehud Olmert, anunciou sua saída do governo, em julho deste ano. Ele deve deixar o cargo ainda este mês. Olmert se viu obrigado a renunciar por envolvimento com escândalos de corrupção e por isso o Kadima, que existe há três anos, realizou sua primeira eleição primária para escolher um novo líder para substituí-lo. O premiê está sendo investigado pelas acusações de ter recebido ilegalmente US$ 150 mil de um empresário americano e de ter pedido dinheiro a vários departamentos do governo para as mesmas viagens ao exterior quando era prefeito de Jerusalém.A vitória apertada de Livni no partido deverá dificultar as tentativas dela de compor uma nova coalizão governamental, condição necessária para que ela se torne a próxima primeira-ministra de Israel. Os simpatizantes de Mofaz acusam Livni de ter "roubado" a eleição, por ter conseguido um prolongamento de meia hora no horário da abertura das urnas.Logo depois da confirmação dos resultados, a vencedora declarou que sua primeira missão será unificar o partido para criar uma "estabilidade política" no país. "Temos várias ameaças para enfrentar", disse Livni, "além da instabilidade econômica... tentarei formar rapidamente uma coalizão que possa se confrontar com esses desafios".CoalizãoPara se tornar premiê, Livni deve montar uma coalizão no parlamento junto com outros partidos. Atualmente, o Partido Trabalhista, o partido ultra-ortodoxo Shas e o partido dos Aposentado estão na coalizão de Olmert e os direitistas do Likud lhe fazem oposição. De acordo com a lei em Israel, depois da renúncia do atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, prevista para a próxima semana, o presidente Shimon Peres deverá incumbir a nova líder do Kadima a formar uma nova coalizão e Livni terá 28 dias para compor um governo que tenha o apoio de pelo menos 61 entre os 120 membros do Parlamento.A negociação mais problemática deverá ser com o Shas, que exige a revisão do orçamento de 2009 e o acréscimo de verbas para benefícios a famílias numerosas. A maioria dos eleitores do Shas tem famílias numerosas que sofreram com os cortes realizados nos benefícios sociais.Além das dificuldades dentro de seu próprio partido, com uma forte oposição dos simpatizantes de Mofaz, e das dificuldades previstas nas negociações com os outros partidos, o fato de Livni ser a segunda mulher que chega ao poder em Israel (a primeira foi Golda Meir, que foi primeira-ministra de 1969 a 1974) deverá ser um problema a mais para a chanceler de Israel.Durante a campanha, Livni foi acusada de não ter "experiência em assuntos de segurança", como os generais da reserva Mofaz e Ehud Barak, líder do partido Trabalhista.Se conseguir formar uma nova coalizão governamental, Livni deverá seguir a linha política de Olmert e tentar seguir adiante com as negociações de paz com os palestinos. Quem é Tzipi Livni Ministra das Relações Exteriores e chefe das negociações com os palestinos, Livni é vista como a sucessora mais provável de Olmert pelos membros do Kadima. A mulher mais poderosa em Israel desde a ex-primeira-ministra Golda Meir, que governou o país nos anos 1970, Livni, de 50 anos, pediu a Olmert que renunciasse no ano passado, depois de uma reportagem impiedosa sobre a guerra israelense no Líbano, em 2006. Mas ele não atendeu ao pedido. Nem ela. Filha de um importante sionista de direita, ela é ex-agente de inteligência. 'Revolução'Para a escritora Avirama Golan, a vitória de uma mulher, que em breve poderá ser a primeira-ministra de Israel, representa uma "revolução" no país."O significado é que em Israel ocorrem processos semelhantes àqueles que já aconteceram no mundo inteiro, nos quais chegam ao poder pessoas que há 20 ou 30 anos não tinham chance... como mulheres, membros de grupos marginalizados, filhos de imigrantes ou de famílias pobres", escreve Golan em artigo no jornal Haaretz.

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