Árabes do Golfo apoiam unidade após insinuarem ameaça do Irã

Líderes do Golfo Árabe apoiaram nesta terça-feira o pedido do rei saudita Abdullah de formar uma "entidade única", depois que ele fez insinuações sobre ameaças iranianas, e exigiram que a Síria implemente imediatamente um plano de paz árabe para acalmar meses de violência por protestos antigoverno.

ANGUS MCDOWALL, REUTERS

20 de dezembro de 2011 | 13h47

O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, que comanda o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) de seis membros, disse que a Síria deveria adotar o plano da Liga Árabe que havia assinado, que pede a retirada das tropas dos centros urbanos, a libertação de presos e o diálogo com as forças da oposição.

"Se as intenções são puras, essas medidas devem ser adotadas imediatamente", disse o ministro saudita, o príncipe Saud al-Faisal, em resposta a uma questão sobre a ratificação da Síria ao plano da Liga Árabe, que também impôs sanções a Damasco.

Suas declarações foram feitas quando o GCC concluiu seu encontro de mais alto escalão desde que uma onda de protestos varreu o mundo árabe no início deste ano, e prometeu uma integração militar e de segurança maior em um comunicado final lido na televisão estatal saudita.

Mas o comunicado não fazia referência específica ao Irã, um país não árabe, que líderes do Golfo acusaram de fomentar revoltas no Bahrein na onda de levantes populares que redesenharam a paisagem política do Oriente Médio.

Os líderes do Golfo concordaram em "...adotar a sugestão do rei Abdullah de mudar da cooperação para a unidade, o que iria ajudar nosso povo a superar os desafios enfrentados pelo GCC", disse o comunicado.

Na segunda-feira, o rei Abdullah disse que a segurança da Arábia Saudita e de seus vizinhos árabes estava sendo ameaçada, em uma suposta referência ao rival regional Irã, e pediu aos estados do Golfo árabe que "fossem além do estágio da cooperação para o estágio da unidade em uma entidade única".

A tensão entre as duas potências do Golfo, o Irã muçulmano xiita e a Arábia Saudita sunita, aumentou muito nos últimos meses, depois que os levantes árabes balançaram o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

Há muito tempo a Arábia Saudita suspeita que o Irã tem ambições expansionistas na região depois da emergência de um governo xiita no Iraque, e suspeita que a república islâmica esteja tentando desenvolver uma bomba nuclear.

Também destacou as acusações feitas pelos Estados Unidos de que o Irã apoiou um plano para assassinar o embaixador saudita em Washington como prova da intenção do Irã em desestabilizar a região.

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