Assad alerta que ação contra Síria sairia pela culatra

O presidente sírio Bashar al-Assad disse neste domingo que o levante em seu país se tornou mais militante, mas que está confiante de que pode ser controlado, e alertou que qualquer ação militar contra sua nação sairia pela culatra.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

21 de agosto de 2011 | 17h44

Assad enfrenta pedidos de renúncia do Ocidente por conta de sua repressão brutal a cinco meses de protestos durante os quais as Nações Unidas dizem que cerca de 2 mil civis foram mortos, mas ele disse que a Síria não aceitará interferência externa.

"Quanto à ameaça de uma ação militar...qualquer ação contra a Síria terá maiores consequências (para aquelas que a realizem), maiores do que podem tolerar", declarou ele em uma entrevista transmitida na televisão síria.

"Primeiro, por causa da localização geopolítica da Síria, e em segundo (por causa) de suas capacidades. Eles sabem parte disso, mas não sabem as outras partes e não conseguirão lidar com os resultados", afirmou.

A Síria, que faz fronteira com Israel, Líbano, Iraque, Turquia e Jordânia, tem influência regional por conta de sua aliança com o Irã e seu papel no Líbano, apesar de ter encerrado uma presença militar de 29 anos ali em 2005. Também tem influência no Iraque e apoia grupos militantes como o Hamas palestino, a Jihad islâmica e o Hezbollah libanês.

Nenhum país ainda propôs o tipo de ação contra a Síria que as forças da Otan têm conduzido em apoio aos rebeldes líbios que buscam depor Muammar Gaddafi.

Mas na semana passada os Estados Unidos e a Europa conclaram Assad a renunciar e Washington impôs novas sanções, incluindo o congelamento de ativos do Estado sírio e a proibição de importações da Síria.

A Síria pode seguir o conselho de outros países da região, "mas não permitimos que nenhum país interfira em nossa decisão", disse Assad.

O governo de Assad culpou grupos armados pela violência e disse que mais de 500 soldados e policiais morreram desde que os tumultos irromperam em março.

"Quanto à situação da segurança, tornou-se mais militante nas últimas semanas", declarou Assad. "Somos capazes de lidar com isso... não estou preocupado."

A agência de notícias estatal Sana disse que cinco soldados mortos por atiradores em Homs e na província de Deraa, no sul, foram enterrados neste domingo.

ELEIÇÕES EM FEVEREIRO

Assad disse que espera que uma eleição parlamentar seja realizada em fevereiro, após uma série de reformas que permitiriam a outros grupos políticos que não seu partido Baath concorrerem.

"O momento previsto para conduzir a eleição parlamentar é fevereiro de 2012", declarou.

Ativistas desdenham as reformas políticas prometidas e muitas figuras da oposição rejeitaram seu pedido por um diálogo nacional, dizendo que não pode haver discussão enquanto forças de segurança continuam matando manifestantes.

Assad enviou tanques e tropas para algumas das maiores cidades sírias para esmagar a dissidência durante o Ramadã, mês sagrado muçulmano iniciado em 1o de agosto.

Ativistas afirmam que dezenas de pessoas foram presas neste domingo durante batidas na província nortista de Idlib, enquanto forças militares e de segurança atacavam a vizinhança de Khaldieh, em Homs.

A Síria expulsou a maioria da mídia independente desde o início dos tumultos, tornando difícil verificar os eventos no local.

Uma equipe da ONU chegou ao país no sábado para determinar as necessidades humanitárias, disse uma autoridade do organismo, que buscava acesso desde maio.

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