Assad diz que Ocidente pagará por ajudar Al Qaeda na Síria

O presidente sírio, Bashar al-Assad, acusou nesta quarta-feira o Ocidente de apoiar militantes da Al Qaeda na guerra civil síria e alertou sobre o risco de que o grupo islâmico se volte contra esses aliados de ocasião e realize ataques "no coração da Europa e dos Estados Unidos".

Reuters

17 de abril de 2013 | 21h09

Assad também fez sua mais dura crítica até agora contra a vizinha Jordânia por permitir que milhares de combatentes cruzassem a fronteira para participar de um conflito, e advertiu que o conflito poderia se estender àquele país. Mas insistiu em que suas forças vão vencer e salvar a Síria da destruição.

"Não temos opção senão a vitória. Se não vencermos, a Síria estará acabada, e não acho que essa seja uma opção para nenhum cidadão na Síria", disse o desafiador presidente em entrevista televisiva.

Em dois anos de conflito, os rebeldes já capturaram amplas áreas rurais da Síria e em março conquistaram pela primeira vez uma capital provincial.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que pelo menos 70 mil pessoas já tenham morrido no conflito, que começou como uma série de manifestações pacíficas inspiradas na Primavera Árabe.

Traçando um paralelo com o apoio ocidental a combatentes anti-União Soviética no Afeganistão dos anos 1980, os quais mais tarde formariam a Al Qaeda, Assad disse que os Estados Unidos e a Europa ainda vão se arrepender de apoiar os rebeldes sírios.

"O Ocidente pagou caro por financiar a Al Qaeda nos seus primeiros estágios no Afeganistão. Hoje, ele a está apoiando na Síria, na Líbia e em outros lugares e irá pagar um preço alto mais tarde, no coração da Europa e dos Estados Unidos", afirmou ele ao canal Al Ikhbariya.

"A verdade é que o que está acontecendo é que estamos principalmente enfrentando forças extremistas", acrescentou Assad.

Há uma semana, a Frente Al Nusra, um dos mais eficazes grupos armados envolvidos na guerra civil, declarou formalmente sua obediência ao líder da Al Qaeda, Aman al-Zawahri.

Os Estados Unidas qualificam a Frente Al Nusra como um grupo terrorista e buscam fortalecer outros grupos rebeldes para contrabalançar a influência dos grupos islâmicos.

(Reportagem de Dominic Evans e Mariam Karouny)

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