Assad nomeia novo premiê e militares atacam rebeldes

O presidente sírio, Bashar al-Assad, nomeou um membro do partido Baath como primeiro-ministro nesta quarta-feira, sinalizando que não fará concessões políticas ao levante de 15 meses de duração, enquanto helicópteros e tanques atacavam rebeldes perto da costa do Mediterrâneo.

OLIVER HOLMES, REUTERS

06 de junho de 2012 | 13h38

A nomeação de Riyad Hijab, ministro da Agricultura do último governo, como primeiro-ministro segue uma eleição parlamentar no mês passado em que as autoridades disseram que foi um passo rumo à reforma política, mas que os adversários rejeitaram como uma farsa.

"Nós esperávamos que Assad fizesse algum jogo e nomeasse uma pessoa independente, mas ele escolheu um baathista linha dura", disse o militante da oposição Najati Tayyara. O novo governo, assim como seus antecessores, não vai exercer nenhum poder real, acrescentou ele.

"O gabinete é apenas para aparecer na Síria e ainda mais agora, com o aparato de segurança totalmente tomando conta."

Ativistas disseram que helicópteros do Exército e tanques atacaram posições rebeldes na província costeira de Latakia pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, nos confrontos mais pesados na região desde que a revolta contra Assad começou em março do ano passado.

A violência implacável tem desafiado um acordo de cessar-fogo de oito semanas de duração, intermediado pelo ex-chefe das Nações Unidas Kofi Annan. Os rebeldes, que dizem que não estão mais vinculados ao acordo, mataram 100 soldados nesta semana, de acordo com o grupo de monitoramento Observatório Sírio para Direitos Humanos.

A Rússia pediu uma reunião ampla internacional, incluindo as potências regionais Turquia e Irã, a Liga Árabe, a União Europeia e os principais membros do Conselho de Segurança da ONU, para resgatar o plano de Annan.

O Observatório disse que os rebeldes tomaram o controle dos edifícios da polícia e da inteligência na cidade de Selma, em Latakia, durante a noite, antes de reforços militares chegarem ao amanhecer.

Os soldados mataram um comandante rebelde em Selma e seis civis em Haffeh, uma área de maioria muçulmana sunita onde os confrontos têm sido mais intensos, informou o Observatório.

Ativistas locais forneceram imagens tremidas de um disparo de foguetes de um helicóptero sírio. Um membro do Exército Sírio Livre, um grupo rebelde, em Latakia disse que seus combatentes levemente armados enfrentaram fogo de artilharia.

"Houve confrontos pesados durante toda a noite. Pela manhã, as forças sírias começaram a bombardear Selma e Haffeh", contou Ali al-Raidi à Reuters por telefone.

A Síria restringe fortemente o acesso de organizações internacionais de mídia, que Damasco diz terem contribuído para incitar a violência, tornando difícil a verificação dos relatos de ambos os lados.

Mais de 35 pessoas foram mortas na terça-feira, e as forças de Assad também sofreram baixas, com pelo menos 26 soldados mortos, muitos em emboscadas pelos rebeldes.

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