Assad retira militares de Homs durante visita da Liga Árabe

Chegada de monitores, porém, não reduz violência e ao menos 15 pessoas morrem

Reuters e Associated Press

27 de dezembro de 2011 | 16h25

BEIRUTE - O Exército da Síria suspendeu dias de repressão na cidade de Homs e começou a retirar seus tanques e oficiais do local nesta terça-feira, 27, dia em que os monitores enviados pela Liga Árabe chegaram ao país, informaram ativistas. Milhares de pessoas foram às ruas logo após a retirada, gritando slogans contra o regime de Bashar Assad e afirmando que os protestos não serão calados pelo governo.

 

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Cerca de 60 monitores da Liga Árabe - os primeiros cuja entrada no país foi permitida desde o início dos enfrentamentos, há nove meses - começaram seu trabalho nesta terça. Eles foram enviados à Síria para assegurar os planos do grupo de negociar um fim da repressão do regime aos protestos, que ocorrem em sua maioria de maneira pacífica.

 

Assad, porém, em vez de reduzir as ações militares desde que aceitou o acordo, no começo da semana passada, apenas aumentou a violência, sendo condenado internacionalmente pela forma como conduz a crise no país. As forças de segurança seguem matando dezenas de pessoas por semana.

 

O mesmo com a presença dos observadores, a brutalidade não cessou. Ao menos 15 pessoas morreram em todo o país nesta terça, disse o Observatório Sírio para Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha. Segundo o grupo, o número inclui ao menos seis pessoas mortas na cidade de Homs, onde os monitores iniciaram suas inspeções.

 

O plano da Liga Árabe exige que o governo retire suas forças de segurança e armamentos das ruas, inicie negociações com os líderes da oposição e permitam que profissionais da imprensa e voluntários de agências de direitos humanos trabalhem no país. Antes da retirada de Homs, não havia sinal de que Assad havia implementado tais medidas, muito menos ordenado o fim da repressão.

 

Homs, a terceira maior cidade da Síria, tem cerca de 800 mil habitantes e está no epicentro da revolta contra Assad. Situada a 160 quilômetros de Damasco, a capital, é chamada por muitos de a "Capital da Revolução".

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