Assassinato de chefe de segurança eleva tensão no Líbano

O atentado com carro-bomba em Beirute que matou uma importante autoridade do setor de segurança do Líbano provavelmente será o ataque mais desestabilizador no país desde o assassinato em 2005 do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri.

SAMIA NAKHOUL, Reuters

22 de outubro de 2012 | 14h25

O que está menos claro, e isso é algo que causa medo em uma sociedade ainda marcada pela guerra civil de 1975-1990, é se o ataque foi uma represália ou o início de uma campanha de violência da Síria e seus aliados dentro do Líbano, suspeitos por muitos libaneses de tentarem espalhar o conflito para além das fronteiras sírias.

O Líbano, que ainda não superou totalmente suas próprias divisões sectárias da época da guerra, é muito frágil para suportar ser envolvido num conflito sírio que está começando a refletir o próprio derramamento de sangue fratricida do Líbano.

Wissam al-Hassan, o oficial de segurança que morreu com mais sete pessoas na sexta-feira, foi enterrado com todas as honras em um funeral oficial emocionante no domingo, na mesquita Rafik al-Hariri, o coração do legado de reconstrução do ex-premiê no centro de Beirute.

O funeral se transformou em um comício político contra a Síria e seus aliados locais no Líbano.

Acredita-se que Hassan tenha sido alvo porque, em agosto, depois de uma operação cuidadosamente planejada, sua unidade de inteligência das Forças de Segurança Interna prendeu um ex-ministro libanês próximo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

O ministro, Michel Samaha, é acusado de transportar bombas montadas na Síria para lançar ataques contra alvos sectários no Líbano. Dois oficiais sírios, incluindo o general Ali Mamlouk, foram indiciados com Samaha em um golpe humilhante para Assad e um movimento sem precedentes contra o país vizinho.

EVIDÊNCIAS DESCOBERTAS

Hassan também liderou a investigação do assassinato de Hariri e descobriu evidências que implicavam a Síria e o Hezbollah, embora ambos neguem a acusação. Um tribunal internacional acusou vários membros do Hezbollah de envolvimento no assassinato.

"Há uma probabilidade de que este será o início de um novo período em que vamos ver mais assassinatos, atentados e outros problemas", disse Sarkis Naoum, colunista e especialista em Síria.

"A incitação sectária está em ascensão no país e a morte de Wissam al-Hassan levou coisas ao auge. Podemos estar entrando em um ciclo muito perigoso. Qualquer coisa pode acontecer."

"Não é possível o conflito da Síria não ter implicações no Líbano. Os libaneses entraram na guerra síria -- um lado está com o regime de Assad e outro contra", disse Naoum.

O grupo xiita libanês Hezbollah apoia Assad, membro da seita alauíta de base xiita, em sua luta contra a insurgência sunita. Sunitas do Líbano e potências sunitas aliadas, notadamente a Arábia Saudita e a Turquia, apoiam os rebeldes sunitas.

O assassino de Hassan fez mais do que apenas matar o mais poderoso cérebro da inteligência do Líbano, mas também foi uma execução pública que enviou um aviso para todos aqueles que ousaram desafiar a Síria no Líbano.

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