Ataque aéreo de Israel mata 3 membros de família palestina

Investida acontece um dia depois da pior onda de violência ocorrida em Gaza desde o final de 2006

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

16 de janeiro de 2008 | 13h58

Israel matou nesta quarta-feira, 16, três membros de uma mesma família palestina da Faixa de Gaza em um ataque aéreo malsucedido e alvejou mortalmente um líder militante da Cisjordânia. Nacionalista deixa governo israelense   As investidas aconteceram um dia depois de os palestinos terem dito que a pior onda de violência ocorrida desde o final de 2006 poderia prejudicar os esforços de paz na região. Na terça-feira, 18 palestinos foram mortos em uma ação das Forças de Defesa de Israel contra militantes armados na Faixa de Gaza.   O território costeiro é controlado há meses pelo Hamas, grupo islâmico considerado terrorista pelas potências ocidentais e que não aceita a existência de Israel.Nesta quarta, enquanto os palestinos realizavam uma greve geral em protestos contra as mortes de terça-feira, um míssil israelense lançado contra militantes do grupo Jihad Islâmica na Faixa de Gaza atingiu o carro errado e matou três civis, entre os quais um menino de 13 anos. Negociações de paz A escalada da violência registrada nesta semana ocorre depois do lançamento das negociações de paz mais ambiciosas para o Oriente Médio em sete anos e da visita do presidente dos EUA, George W. Bush, que tenta incentivar os esforços para que seja selado, dentro de um ano, um acordo de criação de um Estado palestino. Sublinhando os obstáculos a serem enfrentados pelos esforços realizados por Bush, um partido direitista abandonou na quarta-feira a coalizão de governo liderada pelo primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, condenando as negociações e deixando o dirigente ainda mais vulnerável politicamente. Na Faixa de Gaza, pedaços de corpos espalhavam-se ao redor dos destroços do carro atingido no ataque aéreo. Os sapatos manchados de sangue do menino apareciam jogados ao lado da massa de metal retorcido. Testemunhas e membros de equipes médicas disseram que o ataque matou três membros de uma mesma família. Uma porta-voz do Exército de Israel afirmou que o míssil atingiu o carro errado e que os militares investigavam o incidente.         CisjordâniaSoldados israelenses também mataram Walid Obeidi, um líder da Jihad Islâmica, em um tiroteio ocorrido perto da cidade de Jenin (norte da Cisjordânia), afirmaram testemunhas palestinas. A Faixa de Gaza representa um dos maiores problemas para os negociadores que tentam chegar a um acordo para a criação de um Estado palestino. No território, há enfrentamentos quase diários entre as forças israelenses e militantes que disparam foguetes contra cidades de Israel. E, apesar de os planos sobre um Estado palestino incluírem a Faixa de Gaza, essa área é controlada pelo Hamas, um grupo contrário às negociações de paz com Israel e hostil ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. Mahmoud al-Zahar, um importante líder do Hamas que teve um dos filhos mortos nos enfrentamentos de terça-feira, disse que o grupo islâmico continuaria a lutar contra Israel. "O sangue das crianças não correrá em vão. Ele se transformará em chamas que queimarão Israel cedo ou tarde", afirmou Zahar à Reuters dentro de uma barraca erguida para os que compareceram ao funeral do filho dele. Em um raro sinal de união, tanto o Hamas quanto a facção Fatah, ligada a Abbas, declararam três dias de luto pelos mortos, ordenando o fechamento de prédios do governo, empresas, lojas e escolas. As ruas da cidade de Gaza estavam vazias na quarta-feira e as crianças foram mantidas dentro de casa. As lojas também amanheceram com as portas fechadas na cidade de Ramallah (Cisjordânia), uma área de intensa atividade comercial e sede da Autoridade Palestina. Bandeiras palestinas tremulavam a meio mastro.

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