Ataque aéreo mata 30 insurgentes em Bagdá, dizem EUA

Forças abrem fogo contra supostos rebeldes acusados de esconder militantes e armamento iraniano

Agências internacionais,

08 de agosto de 2007 | 08h52

Forças militares dos Estados Unidos disseram que mataram nesta quarta-feira 30 militantes suspeitos de envolvimento no transporte de bombas a partir do Irã. Policiais iraquianos e testemunhas disseram que um bombardeio aéreo americano contra o local provocou a morte de pelo menos nove civis. Veja também  Funcionários da ONU pedem retirada do Iraque Al-Maliki visita o Irã e pede ajuda no combate à violência   A ofensiva americana ocorre no mesmo dia em que o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, chegou ao Irã para pedir ajuda no combate à violência em seu país. Cidade Sadr é um bairro pobre de Bagdá habitado majoritariamente por xiitas.   Num comunicado, o comando militar dos EUA alegou ter desencadeado uma operação terrestre e aérea contra milicianos que estariam traficando armas iranianas e facilitando a viagem de militantes iraquianos para treinamento no Irã.   Segundo a versão americana, pouco depois do ataque terrestre contra Cidade Sadr, helicópteros e aviões bombardearam um grupo de "dezenas de homens armados que pretendiam atacar" os soldados dos EUA e do Iraque envolvidos na ofensiva. Calcula-se que 30 pessoas tenham morrido no bombardeio, diz o comunicado militar. De acordo com um porta-voz militar dos EUA não houve vítimas entre civis. "Havia mulheres e crianças na área quando concluímos a operação, mas nenhuma delas foi morta durante a ação aérea", afirmou o tenente-coronel Christopher Garver.   A operação começou ao amanhecer, quando as forças conjuntas foram ao bairro para deter supostos rebeldes acusados de esconder milicianos e de contrabando de armamento do Irã.   "Acredita-se que os indivíduos detidos e os terroristas mortos integrem uma célula de uma rede especial de terrorismo conhecida por facilitar o transporte de armas e de bombas de perfuração de blindagem do Irã para o Iraque, assim como por levar militantes do Iraque para o Irã para treinamento terrorista", diz o comunicado.   O documento diz ainda que o alvo principal da operação era um homem suspeito de fazer a ligação entre os milicianos iraquianos e um esquadrão de elite das forças iranianas. Teerã nega as acusações americanas de que estaria insuflando a violência no Iraque.   Segundo relatórios dos serviços de inteligência americanos, o grupo atacado serve de ligação entre a Guarda Revolucionária do Irã (corpo de elite deste país) e as redes terroristas no Iraque. A operação foi uma das mais violentas lançadas até agora contra os redutos de milicianos xiitas.   Sadr City é um grande complexo de favelas no nordeste de Bagdá e também abriga combatentes de milícia leais ao clérigo Moqtada al-Sadr, acusada pela comunidade sunita de estar por trás das dezenas de cadáveres torturados encontrados diariamente nas ruas da capital.   Violência   O comunicado militar americano foi divulgado depois de testemunhas e policiais iraquianos terem dito que pelo menos nove civis morreram e seis ficaram feridos nos ataques dos EUA contra Cidade Sadr. Havia duas mulheres entre os nove mortos, prosseguiram as fontes.   Homens adultos e adolescentes choravam sobre caixões envoltos em cobertores enquanto as mulheres vestiam luto e acusavam os americanos pela morte de civis.   Trata-se do mais recente de uma série de ataques lançados pelos EUA contra supostos milicianos xiitas. Os comandantes militares americanos acusam milícias xiitas de intensificarem os ataques contra as forças estrangeiras no Iraque.   Em fevereiro, al-Sadr aceitou retirar o Exército Mahdi das ruas para que os EUA e o Iraque promovessem uma ampla operação de segurança, mas algumas células desobedeceram a ordem e passaram a agir de forma autônoma.   Visita ao Irã   Maliki e os partidos xiitas e curdos predominantes em seu governo têm boas relações com o Irã, mas o primeiro-ministro precisa equilibrar bons contatos com os Estados Unidos, que apóiam seu governo, mas acusam o Irã de insuflar militantes xiitas no Iraque. Teerã nega a acusação.   O premiê iraquiano tenta distanciar-se das acusações americanas ao Irã. No mês passado, um de seus ministros limitou-se a comentar que Bagdá "não descarta a hipótese" de Teerã financiar milicianos xiitas.   Matéria ampliada às 12h30.

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