Ataque contra embaixada dos EUA no Iêmen mata ao menos 16

Carros-bomba explode na entrada da sede diplomática; entre as vítimas estão 4 civis e 6 soldados iemenitas

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 06h17

Insurgentes com armas automáricas, lança-granadas e dois carros-bomba iniciaram uma série de explosões do lado de fora da embaixada dos Estados Unidos no Iêmen nesta quarta-feira, 17, que segundo forças de segurança do país mataram pelo menos 16 pessoas, incluindo seis soldados iemenitas, quatro civis e seis terroristas. Um oficial da embaixada americana confirmou que as explosões foram provocadas por um atentado e que foram registradas mortes.   O Iêmen ainda é um dos redutos da Al-Qaeda na região, apesar das campanhas de segurança empreendidas pelas autoridades locais contra a organização terrorista. Um alto funcionário de segurança iemenita afirmou que seis guardas que pertenciam ao Ministério do Interior e quatro civis perderam a vida na explosão do carro na frente da sede diplomática americana no país. Entre as vítimas civis está um indiano. A porta-voz da embaixada Ryan Gliha disse que a porta da sede diplomática foi atacada na manhã desta quarta, e que teria sofrido uma segunda explosão.   Os carros-bomba explodiram quando tentavam atravessar um posto de controle situado a 100 metros da entrada principal da embaixada, no bairro de Sheraton. Após a explosão, aconteceu um tiroteio entre ocupantes do carro e os agentes de segurança diplomática. O motorista do carro-bomba pode estar entre os mortos do atentado. Um médico afirmou sob anonimato que há sete feridos.   Várias casas sofreram graves danos pelas explosões, afirmou um oficial, que não deu detalhes sobre os possíveis danos ao prédio da embaixada. As forças de segurança cercaram a área e diversas ambulâncias foram enviadas ao local, onde o acesso dos jornalistas foi proibido. As emissoras de TV Al-Jazira y Al-Arabia informaram que houve um incêndio em um dos edifícios da embaixada. O Iêmen é a terra natal de Osama Bin Laden.   Um grupo que se intitula Jihad Islâmica no Iêmen assumiu a responsabilidade pelo ataque e ameaçou repeti-lo em outras embaixadas, incluindo a britânica, a da Arábia Saudita e a dos Emirados Árabes Unidos. Em um comunicado divulgado na terça-feira, o grupo havia ameaçado empreender uma série de ataques caso o governo iemenita não liberte alguns de seus membros da prisão. "Nós, a organização da Jihad Islâmica no Iêmen, declaramos ser os responsáveis pelo ataque suicida na embaixada americana em Sanaa", dizia o comunicado. "Vamos realizar o resto dos ataques no restante das embaixadas citadas anteriormente caso nossas exigências não sejam atendidas pelo governo iemenita."   O Departamento de Estado americano afirmou que o atentado possui todas as características da Al-Qaeda, mas não chegou a determinar o grupo como responsável pelo incidente. O presidente George W. Bush disse que o ataque relembra que o governo americano está envolvido em uma guerra contra o terrorismo, "que matam pessoas inocentes para conseguir seus objetivos ideológicos".   Segundo a BBC, os Estados Unidos ordenaram a saída de seu corpo diplomático não essencial da embaixada iemenita no início do ano, após o prédio ter sido atacado por morteiros. Na ocasião, as bombas pareceram errar o alvo e acertaram uma escola vizinha. O governo do país, um aliado americano na chamada "guerra contra o terror", freqüentemente responsabiliza a rede Al-Qaeda por ataques a alvos ocidentais no país.   Forças especiais americanas vêm auxiliando o governo do país a combater militantes islâmicos. Em visita ao país no início da semana, o secretário de Defesa assistente dos Estados Unidos, Michael Vickers, elogiou os esforços do governo iemenita para "neutralizar ameaças terroristas no Iêmen". Vickers disse que o governo Iêmen deve agora aprovar leis para impedir que "terroristas internacionais" encontrem refúgio no país.   O caso mais famoso no Iêmen de ataque atribuído a grupos extremistas com afinidades ideológicas com a rede Al-Qaeda permanece sendo o que atingiu o navio militar americano USS Cole, em outubro de 2000, matando 17 marinheiros dos EUA.   Matéria atualizada às 13h20.

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