Ataque de helicóptero dos EUA mata seis em favela de Bagdá

Militares afirmam que todas as vítimas são supostos rebeldes; polícia diz que pelo menos 3 civis foram mortos

Agência Estado e Associated Press,

01 de abril de 2008 | 13h38

Seis pessoas morreram quando um helicóptero norte-americano disparou um míssil contra homens armados que atacavam forças em terra no bairro pobre de Cidade Sadr nesta terça-feira, 1, informou o comando militar dos Estados Unidos. Todos os mortos foram qualificados pelos americanos como supostos rebeldes. Já a polícia iraquiana e testemunhas disseram que pelo menos três dos mortos na ação em Bagdá eram civis.   Veja também: Ocupação do Iraque  Número de mortes no Iraque atinge maior nível em 6 meses Premiê iraquiano proíbe prisões de rebeldes xiitas sem mandado   Forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos solicitaram o ataque aéreo, após homens armados atingirem um tanque e atirarem um pneu em chamas na direção das tropas. A informação foi divulgada pelo major Mark Cheadle, porta-voz dos EUA em Bagdá.   Segundo a polícia iraquiana, porém três homens desarmados morreram e seis pessoas ficaram feridas, incluindo duas crianças. Cheadle negou essas informações. A Cidade Sadr é um bairro na capital iraquiana, bastião do clérigo xiita Muqtada al-Sadr.   Também nesta terça-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, afirmou que a ofensiva mantida há uma semana na cidade de Basra, sul do país, é um "sucesso". Apesar disso, ainda há violentos confrontos na área entre membros de milícia e forças iraquianas e da coalizão.   Maliki fez a afirmação em um comunicado. No texto, não havia nenhuma data para o fim da operação. Há ceticismo em relação ao preparo do governo para enfrentar a feroz resistência organizada pelas milícias locais.   Os confrontos na capital e em cidades do sul ajudaram a fazer de março o mês com mais mortes de iraquianos desde o último verão, segundo levantamento da Associated Press. Pelo menos 1.247 iraquianos, incluindo civis e funcionários de segurança, morreram até segunda-feira. O número é baseado em informações da polícia iraquiana e das forças norte-americanas. O número é quase duas vezes maior que o registrado em fevereiro e o maior desde agosto, quando 1.956 iraquianas morreram em decorrência da violência.   No domingo, Al-Sadr pediu aos seus comandados que se retirassem das ruas. O clérigo antiamericano comanda a milícia Exército Mahdi. Em troca da trégua - que não incluiu o desarmamento - o líder xiita pediu o fim das ações contra seu grupo e a libertação de seus comandados que estavam presos. Como mostra da fragilidade do acordo, porém, o diretor do escritório de Al-Sadr em Basra, Harith al-Edhari, pediu nesta terça-feira ao governo que pare com os combates e prisões na área.   As tropas dos Estados Unidos e funcionários iraquianos insistem que a operação no sul do país é direcionada apenas contra criminosos. O alvo, argumentam, não é o movimento de Al-Sadr, que controla 30 das 275 cadeiras do Parlamento nacional. Porém, as lutas envolveram basicamente membros do Exército Mahdi, provocando descontentamento no grupo.   Apesar da instabilidade, o comunicado do primeiro-ministro afirma que a operação alcançou "segurança, estabilidade e sucesso" em Basra. Maliki também anunciou um plano com dez pontos para estabilizar a área. A iniciativa inclui o recrutamento de mais 10 mil policiais e membros do Exército de tribos locais, além da melhoria dos serviços públicos.   Maliki havia prometido enfrentar as milícias que, na prática, governam Basra há quase três anos. O Exército dos EUA realizou ataques aéreos na cidade para apoiar a ação iraquiana. No entanto, a resposta do Exército Mahdi foi violenta. O contragolpe incluiu o lançamento de foguetes na controlada Zona Verde e ataques em vários pontos do sul, de maioria xiita, e pegou o governo de surpresa.   A disputa possibilitou a Al-Sadr demonstrar que ainda tem força e pode mesmo desafiar o governo iraquiano, os EUA e os principais partidos xiitas, que tentaram por anos marginalizá-lo Também trouxe dúvidas sobre a declaração do presidente dos EUA, George W. Bush, de que a batalha em Basra era "um momento de definição" na história de "um Iraque livre". Segunda maior cidade do Iraque, Basra fica 550 quilômetros a sudeste de Bagdá. A região concentra grande parte das reservas iraquianas de petróleo.

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