Ataque dos EUA que matou 8 é 'crime ultrajante', diz Síria

Damasco responsabiliza americanos por bombardeio e chama representante comercial do país para consultas

Agências internacionais,

27 de outubro de 2008 | 07h55

A Síria responsabilizou a administração americana pelo ataque militar deste domingo contra seu território no qual morreram oito pessoas e chamou para consultas o responsável de Negócios dos Estados Unidos em Damasco, informou a agência Sana. O porta-voz militar sírio em Londres, Jihad Makdissi, classificou o incidente em entrevista à BBC como um "crime ultrajante".  A Síria afirma que helicópteros militares americanos atacaram a região da fronteira com o Iraque, matando oito civis. OS EUA, que acusam o governo sírio de não agir suficientemente no combate aos militares da Al-Qaeda que cruzam as fronteiras, não negou ou confirmou o incidente. A agência, que dá nomes e sobrenomes às vítimas, acrescenta que o regime sírio condenou esta "ação agressiva" e responsabilizou o Exército americano tanto pelo ataque quanto por "todas as suas conseqüências". Além disso, pede ao governo iraquiano que assuma a responsabilidade de iniciar uma investigação imediata sobre esta "perigosa violação" e de proibir o uso de seu território para atacar a Síria. O vice-ministro de Assuntos Exteriores sírio, Faisal Mekdad, chamou para consultas o responsável por Negócios americano na Síria, máxima representação dos EUA no país, para lhe comunicar a denúncia e a condenação da Síria a esta "agressão perigosa". O vice-ministro sírio acrescentou que a administração dos EUA é "totalmente responsável" pelo acontecido.  "Este foi um crime ultrajante e um ato de agressão, com certeza" afirmou o porta-voz militar sírio. Ele disse ainda que o ataque americano atingiu "um prédio em construção, um prédio civil". "Se os EUA possuem alguma prova de qualquer insurgência, em vez de aplicar a lei da selva e invadir um Estado soberano, eles deveria primeiro procurar o governo sírio e compartilhar essa informação", disse. A agência de notícias Sana informou que os soldados americanos "abriram fogo contra os trabalhadores" dentro do prédio em construção, "incluindo a esposa de um dos guardas da construção, levando à morte de oito civis". Entre os mortos também estariam um homem e seus quatro filhos e um casal. A área onde ocorreu o ataque, o vilarejo de Sukkiraya, fica perto da cidade de Qaim, já no Iraque, perto da fronteira. Esta região tem sido um ponto de passagem para combatentes, armas e dinheiro, que entram ilegalmente no Iraque para abastecer a insurgência sunita. Segundo a BBC, na semana passada o general americano John Kelly afirmou que as fronteiras iraquianas com a Arábia Saudita e a Jordânia estavam seguras, resultado de um bom policiamento das forças de segurança daqueles países. Mas, a fronteira iraquiana com a Síria, de acordo com o general, não tinha controle e também existe certo nível de movimento de combatentes estrangeiros na região. Kelly acrescentou que os Estados Unidos estavam ajudando a construir barreiras físicas pela fronteira. Bagdá defende ataque O governo de Bagdá afirmou que a região síria fronteiriça com o Iraque alvo do ataque, foi palco de atividades de organizações terroristas que operam da Síria contra o Iraque. O porta-voz do governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, afirmou à agência independente Aswat al-Iraq que a última operação destes grupos causou a morte de 13 agentes do Ministério do Interior em um povoado fronteiriço. Após este ataque, cuja data não foi especificada por Dabbagh, as autoridades iraquianas pediram às sírias que lhes entregassem os membros do grupo ofensor, que tem em uma base para suas atividades terroristas dirigidas contra o Iraque, acrescentou o porta-voz. Dabbagh assegurou que seu governo mantém o contato com a parte americano sobre as informações relacionadas à ação armada. Além disso, disse que seu país tenta sempre manter boas relações com a Síria, mas afirmou que a permanência de alguns grupos em território sírio que apóiam e colaboram nas atividades terroristas contra o Iraque cria obstáculos para o avanço das relações bilaterais.

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