Ataque em Damasco mostra 'impulso real' contra Assad, dizem EUA

Um atentado suicida que matou membros do alto escalão do regime sírio - enquanto os combates entre governo e oposição se espalham por Damasco - revela um "impulso real" para os insurgentes que enfrentam o presidente Bashar al Assad, disseram os Estados Unidos, pedindo a outros países que intensifiquem a pressão pela saída do governante.

Reuters

18 de julho de 2012 | 18h57

A bomba que matou o ministro da Defesa e um cunhado de Assad irá enfraquecer o moral do regime e pode acelerar deserções no alto escalão, mas não prenuncia uma queda iminente do governo, segundo analistas.

"Há um impulso real contra Assad, com crescentes deserções, e uma oposição fortalecida e mais unida que está operando em todo o país", disse o porta-voz da Casa Branca, Tonny Vietor. "Estamos trabalhando urgentemente com os nossos parceiros internacionais para pressionarmos por uma transição política na Síria."

O chanceler britânico, William Hague, condenou o atentado e disse que ele "confirma a necessidade urgente de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU a respeito da Síria sob o Artigo 7o (da Carta da ONU)."

EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha querem aprovar na ONU uma resolução que prorroga por 45 dias a missão de observação da ONU na Síria. O mesmo texto também colocaria o plano de paz do mediador internacional Kofi Annan sob a égide do Artigo 7o, o que poderia abrir caminho para a imposição de sanções ou mesmo para uma ação militar internacional contra Assad.

"A situação na Síria está claramente se deteriorando. Todos os membros do Conselho de Segurança da ONU têm uma responsabilidade de colocar seu peso por detrás da imposição do plano do enviado especial conjunto Kofi Annan para acabar com a violência", disse Hague.

Mas Rússia e China se opõem a uma resolução que abra caminho para sanções contra seu aliado Assad. Nesta semana, o chanceler russo, Sergei Lavrov, acusou as potências ocidentais de cometerem "chantagem" ao tentarem incluir a menção ao Artigo 7o na resolução que renova a missão internacional.

Depois do incidente de quarta-feira, a Rússia reiterou sua posição de que a resolução ocidental só irá servir para piorar a situação. "Uma batalha decisiva está em andamento na Síria", disse Lavrov a jornalistas. "É uma política de beco sem saída apoiar a oposição. Assad não irá sair por contra própria, e nossos parceiros ocidentais não sabem o que fazer a respeito."

Israel disse, por intermédio do seu ministro da Defesa, Ehud Barak, que está acompanhando atentamente a situação, "especialmente a possibilidade de que (...), com o controle central abalado, o Hezbollah tente tomar sistemas avançados de armas da Síria."

O Hezbollah é um grupo xiita libanês que tem apoio de Damasco e travou uma guerra contra Israel em 2006.

O Irã, aliado de Assad, ecoou o discurso oficial sírio e atribuiu o ataque a "terroristas". Em nota, a chancelaria de Teerã alertou que o apoio externo à oposição, embora possa afetar a "robusta estabilidade" da Síria, "não irá levar a lugar nenhum".

O Conselho Nacional Sírio, que reúne grupos de oposição, disse que o ataque em Damasco abre uma nova fase para a crise, e deve incentivar mais rebeliões em outras áreas. "Em longo prazo, achamos que esta operação é o começo do fim", disse o porta-voz George Sabra durante visita a Milão.

Ele não quis especular sobre a autoria do atentado. "Não é importante falar sobre quais indivíduos fizeram a operação, mas a coisa mais importante é que a atividade foi feita por ativistas revolucionários e pelo Exército Sírio Livre."

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