Ataque mata 9 no Iraque durante ritual xiita

Ataques no norte do Iraquemataram nove pessoas neste sábado, último dia de um granderitual xiita. No Paquistão, a polícia disse ter impedido umatentado suicida e um ataque com cianureto contra seguidoresdessa mesma corrente do islamismo, minoritária entre ospaquistaneses. As mortes no Iraque ocorrem num momento em que milhões dexiitas em toda a região celebram o ponto alto dos dez dias derituais da Ashura, que têm sido com freqüência marcados pelaviolência e são alvo de ataques de militantes sunitas,incluindo a rede Al-Qaeda. Sete iraquianos foram mortos em um ataque de foguete depoisde participarem da Ashura em Tal Afar, 420 quilômetros anoroeste de Bagdá, disse o brigadeiro Najim Abdullah. Na cidadede Kirkuk, no norte do país, uma bomba matou dois peregrinosque se dirigiam a uma mesquita para tomar parte na cerimôniaanual. A Ashura era severamente reprimida sob o governo dopresidente sunita Saddam Hussein, mas foi revigorada depois desua deposição pela invasão liderada pelos Estados Unidos, em2003. Cerca de 2,5 milhões de peregrinos se aglomeraram nas ruase ruelas na cidade sagrada xiita de Kerbala para lamentar oassassinato, em 680 d.C. do neto do profeta Maomé, Imã Hussein,ocorrido perto da cidade. "Fiquei muito feliz por estar entre os milhões deperegrinos em Kerbala. Mas, para ser franco, tenho medo de quepossamos ser atacados no caminho de volta para casa", disseIbrahim Hashim, de 40, professor em Bagdá. A morte do imã Hussein consolidou o cisma dos muçulmanossunitas e xiitas sobre quem eles reconhecem como os sucessoresde Maomé. Alguns sunitas consideram os xiitas como heréticos. Num sinal de lamento, durante a Ahura muitos xiitas batemem seu peito, ao som de tambores e cânticos religiosos, ou seflagelam, provocando com freqüencia sangramentos. No Paquistão, o chefe da polícia provincial Azhar AliFarooqi anunciou em uma coletiva de imprensa que a prisão nasexta-feira de cinco suspeito de planejarem ataques "impediu umgrande desastre.., mas a ameaça de ataques suicidas aindapermanece". Ele disse que os homens pertenciam a diferentes gruposmilitantes muçulmanos sunitas. A polícia apreendeu equipamentode fabricação de bombas, incluindo explosivos e detonadores,bem como 500 gramas de cianureto que, segundo Farooqi, seriausado para envenenar bebidas distribuídas para as pessoasdurante procissões da Ashura. TRISTEZA E APOIO No Líbano, onde os xiitas são a maior seita muçulmana,perfazendo cerca de 30 por cento dos estimados 4 milhões dehabitantes do país, centenas de milhares de xiitas se dirigirampara o reduto do Hezbollah, no sul de Beirute, para chorar amorte do imã Hussein e expressar apoio ao grupo guerrilheiro,que também é partido político. Este ano a Ashura coincide com a pior crise política doLíbano desde a guerra civil de 1975-1990. O conflito opõe aoposição liderada pelo Hezbollah contra seus rivais no país, amaioria anti-Síria. O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, aproveitou aocasião para dizer que o grupo possui partes de corpos desoldados israelenses deixados nos campos de batalha do sul doLíbano durante a guerra de 2006. O comentário visavaaparentemente a pressionar Israel a agilizar as conversaçõesmediadas pela ONU para troca de prisioneiros. Ashura termina neste sábado no Iraque e Líbano e domingo,no Paquistão.

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