EFE/EPA/STRINGER
EFE/EPA/STRINGER

Extremistas do EI matam 20 reféns em Bangladesh

Após quase 12 horas de cerco, tropas especiais invadem restaurante atacado; 6 dos criminosos e 2 policiais também morreram na ação

O Estado de S. Paulo

02 Julho 2016 | 08h55

DACA - Extremistas armados mataram ao menos 20 dos reféns que mantiveram durante quase 12 horas no restaurante Holey Artisan Bakery, em Daca, capital de Bangladesh, confirmaram nesta sábado, 2, as autoridades de segurança do país. As vítimas eram, na maioria, estrangeiras e a autoria da ação foi reivindicada pelo Estado Islâmico (EI).

O cerco terminou na madrugada após uma tropa de elite invadir o local, matando seis sequestradores. Os islamitas extremistas lançaram na sexta-feira um ataque ao restaurante localizado em um bairro de luxo da capital de Bangladesh, frequentado por diplomatas e estrangeiros. 

O Exército de Bangladesh anunciou que muitas das vítimas são japonesas e italianas, mas há também pelo menos um cidadão americano entre as vítimas estrangeiras.

Após o ataque das forças de segurança, a primeira-ministra Sheikh Hasina disse que o país, de maioria muçulmana, está “determinado a erradicar o terrorismo”. O governo nega que o EI esteja presente em Bangladesh.

Os sobreviventes contaram que os sequestradores separaram os bengalis dos estrangeiros antes de iniciar os assassinatos, massacre que terminou com a ação das forças de segurança. A maioria das vítimas foi morta com armas brancas. Além disso, dois policiais morreram na sexta-feira nos combates contra os criminosos, que estavam fortemente armados.

“Encontramos 20 corpos. A maioria das pessoas morreu brutalmente por armas perfurocortantes”, disse o porta-voz militar Nayeem Ashfaq Chowdhury. As forças antiterror resgataram 13 reféns, três deles estrangeiros, na operação de resgate. Um sétimo terrorista foi preso, segundo o Exército.

“É um ato odioso. Que tipo de muçulmanos são essas pessoas? Não são de nenhuma religião”, afirmou a primeira-ministra em um discurso televisionado.

Reações. O chanceler italiano, Paolo Gentiloni, lamentou o ataque em Daca e pediu união da comunidade internacional para combater o EI. Gentiloni confirmou que pelo menos nove vítimas tinham cidadania do seu país. Além disso, um outro italiano conseguiu fugir do local. 

O governo japonês também identificou sete vítimas do país no ataque. Uma porta-voz da chancelaria do país disse que os nomes não seriam revelados em respeito às famílias.

Já o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, qualificou como "atroz" o atentado e confirmou que uma das vítimas era americana. Apesar de Earnest não divulgar a identidade da vítima, a Universidade Emory, no Estado da Georgia, disse que sua aluna Abinta Kabir foi morta no ataque. Ela era de Miami e estava em Bangladesh visitando parentes e amigos.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, também condenou o ataque e pediu para que os esforços internacionais para prevenir e combater o terrorismo sejam intensificados. "Apoio firmemente Bangladesh em sua luta contra esta ameaça e ressalto a necessidade de intensificar os esforços regionais e internacionais para prevenir e combater o terrorismo", dizia na nota. 

Cerco. Estrangeiros e bengalis aguardavam, do lado externo do restaurante notícias de seus parentes. Militares continuavam montando guarda nos telhados dos imóveis próximos. Durante a ação de resposta das forças de segurança, foram ouvidos muitos disparos.

Os extremistas invadiram o restaurante às 21h20 locais (12h20 de Brasília) da sexta-feira aos grito de “Allahu Akbar” (Deus é o maior), abrindo fogo e usando explosivos.

“Entraram (no restaurante) com explosivos e granadas”, relatou a um canal de televisão de Buenos Aires o chef argentino Diego Rossini, que conseguiu escapar pelo telhado. “Tenho muito medo, sinceramente, metade dos cozinheiros entrou em um banheiro e não temos notícias. Não sei se estão vivos.”. 

Descrevendo a situação como “horrenda”, Rossini ainda afirmou que o dia não era de muito movimento no restaurante, o que evitou um massacre ainda maior

Um refém contou ao pai que os criminosos separaram os bengalis, levando estrangeiros “ao andar de cima”, disse esse pai, Rezaul Karim, à AFP. “Minha nora usa hijab. Talvez isso tenha salvado a família”, disse. / AFP e EFE

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