Reuters
Reuters

Ataques aéreos da Otan matam filho mais novo de Kadafi na Líbia

No mesmo prédio, em Trípoli, líder líbio saiu ileso; três netos dele também morreram, segundo porta-voz

Estadão.com.br, com agências internacionais

30 de abril de 2011 | 19h46

TRÍPOLI - Um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) matou Saif al Arab, o mais novo dentre os seis filhos de Muamar Kadafi, neste sábado, informou um porta-voz do regime em Trípoli. Três netos do líder líbio com menos de 12 anos também morreram.

 

Veja também:

especialLinha do Tempo: 40 anos da ditadura na Líbia

blog Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

especialCharge: O pensamento vivo de Kadafi

 

O próprio Kadafi estava na região residencial atacada, mas saiu sem ileso, segundo os oficiais do governo informaram à rede britânica BBC. Segundo jornalistas, o imóvel ficou extremamente danificado e uma bomba que não explodiu continua no local.

 

A Otan confirmou o ataque que atingiu "um edifício de comando e controle no bairro de Bab al-Azizya", mas não confirmou a morte de Saif al Arab. A aliança insistiu que suas metas são de natureza militar e estão ligadas aos ataques das forças de Kadafi contra a população.

 

O comandante de operações da Otan, general canadense Charles Bouchard, disse que ouviu relatos não confirmados da morte de alguns membros da família do líder líbio. Ele lamentou "todas as vidas perdidas, principalmente a de civis inocentes prejudicados como resultado do conflito" na Líbia.

 

Forças rebeldes comemoraram o feito com buzinas e gritos de 'Allahu Akbar' (Deus é grande, em tradução livre) em Misrata. Eles usaram fogos de artifício em frente ao hospital central de Hikma, o que provocou um breve pânico, já que a luz poderia atrair as forças de Kadafi.

 

O porta-voz do governo, Ibrahim Moussa, disse que a casa foi atacada "com força total." "O líder com sua esposa estavam na casa com outros amigos e parentes, mas ele não ficou ferido." Segundo Ibrahim, o ataque foi "com intenção direta de matar o líder o país"

 

Saif al Arab "estava brincando e conversando com seus pais e sobrinhos, além de outros visitantes, quando foi atacado por nenhum crime cometido", disse o porta-voz do governo.

 

Com 29 anos, ele estudava na Alemanha e era era o menos conhecido dos filhos de Kadafi. Não fez nenhuma aparição pública desde o início do conflito na Líbia, em fevereiro.

 

Mais ataques. Outras 13 fortes explosões atingiram o porto líbio de Misurata neste sábado à medida que aviões da  Otan procuravam alvos na terceira cidade do país que está controlada por rebeldes.

 

As explosões puderam ser ouvidas por dez minutos vindo dos subúrbios da cidade de meio milhão de pessoas em regiões onde as forças a favor de Kadafi parecem estar no controle.

 

Na hora das explosões, vários aviões da Otan estavam voando sobre a cidade sitiada pelas tropas leais ao ditador líbio por dois meses.

 

'Assassinato'. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, condenou o ataque que matou o filho de Kadafi, no que chamou de "assassinato" e pediu que os países europeus reflitam para que não sucumbam à "loucura napoleônica" e "facista" dos Estados Unidos.

 

"Isso é um assassinato. Como é que para proteger o pobo líbio estão matando gente?", questionou Chávez num ato público em Caracas. "Peçamos a Deus pela paz na Líbia e no mundo e que entre razão em quem se deixou tomar pela loucura (...)uma loucura napoleônica, facista".

 

(Com BBC, AP, EFE e Dow Jones)

 

Atualizado às 00h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.