Ataques de Israel à Faixa de Gaza deixam 61 mortos

Segundo governo israelense, ação visa impedir disparos de mísseis contra seu território; 200 ficaram feridos

Agências internacionais - BBC,

01 de março de 2008 | 23h24

As forças militares de Israel voltaram a realizar ataques contra a Faixa de Gaza na madrugada deste sábado, 1, deixando 61 palestinos mortos e 200 pessoas feridas, 14 delas em estado grave, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Dois soldados israelenses morreram. Foi a mais violenta ofensiva desde 2000, quando eclodiu a segunda intifada.  Veja também:Veja as imagens  Análise: Hamas delira, e o governo de Israel expõe sua fraquezaAbbas diz que ações de Israel são 'mais do que o Holocausto'Autoridade Palestina ameaça suspender diálogo com IsraelConselho da ONU se reúne com urgência A incursão ocorreu em meio a ameaças do governo de Israel de lançar uma ampla invasão do território, do qual se retirou em agosto de 2005, para impedir o disparo diário de foguetes palestinos contra as cidades israelenses de Sderot e Ashkelon. Segundo autoridades do país, Israel foi alvo ontem de 48 foguetes, incluindo 3 de fabricação soviética - mais poderosos e precisos que os Qassam, produzidos pelos próprios palestinos. Autoridades palestinas disseram que as forças de Israel avançaram rumo às cidades de Beit Hanoun e Jabalya. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que continua hostil ao Hamas, classificou as ações de Israel de "inacreditáveis" e disse que está acontecendo "mais do que um Holocausto" na região, em referência aos comentários feitos na sexta-feira pelo vice-ministro israelense da Defesa, Matan Vilnai. Vilnai disse que os palestinos poderiam enfrentar um "sloah" se os ataques com foguete não cessassem. Depois, afirmou que quis dizer com isso "desastre" em vez de "holocausto", este último o significado mais comum da palavra. Após tomar conhecimento do número de mortos nos ataques deste sábado, Abbas disse considerar suspender as negociações de paz com Israel, e convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para analisar a situação em Gaza. O Conselho se reuniu a portas fechadas, ainda neste sábado, 1, e depois foi para uma reunião aberta para ouvir ambas as partes a fim de elaborar um rascunho de resolução do Conselho condenando as mortes e pedindo um cessar-fogo.  O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, lamentou a morte dos civis, mas responsabilizou o Hamas pela violência. Ele também prometeu manter a ofensiva militar para proteger Israel. Ainda no final da noite deste sábado, um ataque aéreo destruiu um prédio de escritórios usado pelo ex-primeiro-ministro Ismail Haniyeh, líder do Hamas. Segundo testemunhas, fragmentos de vidros do prédio deixaram cinco feridos. A recente onda de violência já provocou a morte de mais de 80 palestinos, pelo menos 40 deles civis, e um israelense desde a quarta-feira. Segundo a BBC, o diretor do serviço de emergência dos hospitais da Faixa de Gaza, Moawia Hasnein, afirmou neste sábado que o número de mortos na região pode vir a aumentar pois os tiroteios entre as tropas israelenses e os militantes palestinos são tão intensos que as ambulâncias não estão conseguindo socorrer os feridos.  Dois soldados israelenses também foram mortos, e sete ficaram feridos, informou o Exército. Essas foram as primeiras baixas israelenses em quatro dias de confronto.  Os Estados Unidos conclamaram Israel na sexta-feira a "considerarem as conseqüências" de qualquer ação antes da próxima semana, quando está agendada uma visita da secretária de Estado Condoleezza Rice. Mais derramamento de sangue pode acabar frustrando as esperanças de Washington de um acordo para um Estado Palestino antes que o presidente George W. Bush deixe o cargo, em janeiro de 2009.Katya Adler, correspondente da BBC em Jerusalém, diz que os líderes israelenses vêm sofrendo pressões de setores da população para lançar uma grande invasão por terra à Faixa de Gaza. Porém uma recente pesquisa de opinião indicou que a maioria dos israelenses apóia uma trégua e negociações com o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza.  Lançamento de mísseis Segundo Israel, suas ações militares contra Gaza visam impedir o lançamento de mísseis palestinos contra seu território. Apesar disso, vários foguetes foram lançados nas últimas horas, três deles atingindo a cidade costeira israelense de Ashkelon e ferindo levemente quatro pessoas.Na quinta-feira, um foguete disparado pelo Hamas matou um estudante israelense na cidade de Sderot, ao sul do país - a primeira morte de um civil israelense nestas condições em nove meses. Os militantes palestinos dizem estar respondendo aos ataques de Israel.

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