Ataques marcam quinto aniversário de tomada de Bagdá

Confrontos entre Exército e milícias em favela na capital mata 16; governo proíbe trânsito de carros na cidade

Agências internacionais,

09 de abril de 2008 | 08h15

Dezesseis pessoas morreram nesta quarta-feira, 9, na favela de Cidade Sadr, em Bagdá, em meio a persistentes confrontos entre forças locais de segurança e milicianos xiitas no dia do quinto aniversário da queda da capital iraquiana informaram autoridades locais. Os ataques no distrito xiita vieram apesar das medidas tomadas pelas autoridades e líderes locais para tentar prevenir possíveis episódios de violência nesta data.   Veja também:  Progressos no Iraque são 'frágeis', diz comandante  US$ 5 mil malgastos por segundo na guerra    O derramamento de sangue é um lembrete da persistente instabilidade no Iraque exatamente cinco anos depois de soldados americanos terem entrado em Bagdá e derrubado formalmente o regime de Saddam Hussein, em 9 de abril de 2003. A euforia pela vitória logo se dissipou, primeiro afetada por uma acirrada resistência sunita, mais tarde pelos confrontos sectários entre sunitas e xiitas e agora pela insurgência xiita.   A Zona Verde da cidade, que abriga missões diplomáticas e as principais instituições do governo iraquiano, também foi alvo de disparos de foguetes e morteiros nas primeiras horas desta quarta. A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá confirmou que houve ataques contra a fortificada região, mas funcionários da representações diplomática disseram não possuir informações referentes a vítimas.   De acordo com a polícia, sete pessoas morreram em Cidade Sadr, inclusive três crianças, quando projéteis atingiram uma casa na favela, considerada um bastião do Exército Mahdi, milícia xiita organizada pelo clérigo Moqtada Al-Sadr. Outras 27 ficaram feridas, disseram fontes hospitalares. A polícia alega que as explosões foram causadas por salvos de morteiro.   Em outro incidente, um morteiro atingiu uma área residencial do empobrecido distrito bagdali, matando mais sete pessoas e ferindo 36, informaram fontes policiais e hospitalares. Ao mesmo tempo, o comando militar americano em Bagdá alegou ter disparado um míssil durante a noite contra dois homens que participavam de um tiroteio contra forças do governo iraquiano em outra área de Cidade Sadr.   O governo iraquiano proibiu o trânsito de veículos em Bagdá. Preocupações com a segurança também provocaram o cancelamento de uma manifestação xiita organizada Al-Sadr para protestar contra a ocupação americana, prevista para esta quarta-feira. O próprio clérigo cancelou o protesto, alegando preocupações com a segurança do evento, que, segundo ele, reuniria mais de um milhão de pessoas na capital iraquiana.   Tecnicamente, ainda está em vigor uma trégua entre a milícia de Al-Sadr, o Exército de Mahdi, e as forças de segurança iraquianas e americanas, apesar de combates recentes que causaram a morte de centenas de pessoas. No entanto, Moqtada Al-Sadr afirmou que pode suspender esta trégua. "Se for necessário, suspenderemos o cessar-fogo para implementar nossos objetivos, ideologia, religião, princípios e nação", afirmou o clérigo em um comunicado.   Analistas acreditam que a trégua firmada por Al Sadr contribuiu para a diminuição da violência em Bagdá nos últimos meses. Na segunda-feira, o primeiro-ministro iraquiano ameaçou excluir o clérigo do cenário político caso ele não desmantelasse sua milícia. Al-Sadr afirmou que desarmaria seus homens apenas se a ordem fosse dada por aiatolás superiores.   Na terça-feira, nos Estados Unidos, o principal comandante militar americano no Iraque, David Petraeus, recomendou ao Congresso do país a suspensão da retirada parcial de tropas americanas marcada para julho, como forma de ajudar a consolidar os avanços conquistados no combate à violência no país.   Petraeus elogiou as "significativas, porém voláteis" melhorias na segurança e disse que as necessidades referentes ao contingente de soldados no país precisam ser avaliadas durante o verão nos Estados Unidos (inverno no Brasil).   (Com BBC Brasil e Associated Press)

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