Ataques matam 75 no Iraque e premiê busca apoio mundial

Explosões de bombas e tiroteios mataram pelo menos 75 pessoas no Iraque, disseram fontes policiais e hospitalares, tornando esta quarta-feira em um dos dias mais sangrentos em meses.

ALISTAIR LYON, Reuters

15 de janeiro de 2014 | 17h07

No pior dos incidentes, uma bomba explodiu num funeral onde as pessoas velavam um militante sunita pró-governo morto há dois dias, segundo a polícia. A bomba matou 18 pessoas e feriu 16 em Shatub, uma vila ao sul de Baquba.

No noroeste do Iraque, militantes detonaram bombas à beira de uma estrada perto de uma ponte em Ain al-Jahash, 60 quilômetros ao sul de Mosul, no momento em que uma patrulha do Exército passava no local. Seis soldados morreram e oito pessoas ficaram feridas, seis delas civis, disse a polícia.

Homens armados mataram sete motoristas de caminhão, sequestraram dois e atearam fogo a três veículos no distrito xiita de Maamil, no subúrbio leste de Bagdá, disse a polícia.

Dois anos depois de as tropas dos Estados Unidos terem deixado o Iraque, a violência atingiu o seu nível mais alto desde o conflito entre sunitas e xiitas em 2006 e 2007, que deixou dezenas de milhares mortos.

O Exército vive um impasse com extremistas sunitas que tomaram Falluja, uma cidade a oeste de Bagdá, há mais de duas semanas, um desafio ao governo liderado pelo primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki.

Eles são liderados pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, grupo ligado à Al Qaeda. O grupo luta no oeste do Iraque e na Síria para criar um reduto islâmico na região de fronteira.

"A batalha será longa e vai continuar", disse Maliki na TV estatal, pedindo apoio mundial. "Se ficarmos quietos, isso vai significar a criação de pequenos Estados do mal que iriam arruinar a segurança na região e no mundo."

Maliki descartou um ataque a Falluja pelas tropas e tanques que cercam a cidade de 300 mil habitantes, mas tem falado para os integrantes de tribos locais expulsarem o Estado Islâmico do Levante e do Iraque, grupo que explora a raiva entre os sunitas contra um governo acusado de oprimi-los.

Extremistas leais à Al Qaeda têm mantido uma campanha de atentados, principalmente contra as forças de segurança, os xiitas e os sunitas tidos como alinhados com o governo.

A violência têm espantado os líderes da região autônoma curda no Iraque. "Isso é um desastre", disse o líder Fuad Hussein à Reuters. "O país está todo agora sendo ameaçado por terroristas. Precisamos ter uma frente comum."

CAMINHÃO-BOMBA

Na capital iraquiana, pelo menos oito bombas, que tiveram como alvo principalmente distritos xiitas, mataram 40 pessoas e feriram 88, afirmaram policiais e médicos. Um carro-bomba em Dujail, cidade xiita a 50 quilômetros de Bagdá, matou três pessoas e feriu sete.

Os atentados ocorreram depois de ataques que mataram pelo menos 24 pessoas no dia anterior, além de ações militantes coordenadas numa ponte rodoviária e numa delegacia em Falluja.

Um militante suicida explodiu um caminhão cheio de explosivos sob uma ponte perto da cidade de Saqlawiya, a 10 quilômetros de Falluja, causando o desabamento da ponte.

Ao mesmo tempo, dezenas de extremistas tomaram uma delegacia policial em Saqlawiya, cujos ocupantes se renderam. Um helicóptero atacou o posto policial com os militantes, mas eles não saíram de lá.

Os militantes deixaram o local e foram para Falluja nesta quarta-feira, usando um corredor que o Exército havia deixado para os civis. O posto policial foi retomado e transformado numa base militar, disse a polícia.

(Reportagem de Ahmed Rasheed e Raheem Salman, em Bagdá; e de Isabel Coles, em Arbil)

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