Ataques na Líbia devem diminuir; rebeldes estão desorganizados

Os ataques contra a Líbia provavelmente vão diminuir nos próximos dias, disse um general norte-americano nesta segunda-feira, enquanto as potências ocidentais consolidavam uma zona de exclusão aérea.

MARIA GOLOVNINA E MICHAEL GEORGY, REUTERS

21 de março de 2011 | 19h59

Os rebeldes que iniciaram um mês atrás uma revolta contra o líder líbio, Muammar Gaddafi, fizeram até agora pouco para aproveitar os dois dias de bombardeio que deteve o avanço das forças do governo no reduto da oposição, Benghazi, e teve como alvo as defesas aéreas da Líbia.

Mas os Estados Unidos, cientes de estarem sendo tragados para uma outra guerra, depois de longas campanhas no Iraque e Afeganistão, descartaram a possibilidade de uma ação específica para derrubar Gaddafi, embora a França tenha afirmado nesta segunda-feira esperar que o governo líbio caia por razões internas.

"Minha percepção é que, a menos que algo inusitado ou inesperado aconteça, poderemos ver um declínio na frequência de ataques", disse o general Carter Ham, que lidera as forças dos EUA na operação líbia, falando a repórteres em Washington.

Mas ele acrescentou: "Nós possuímos a capacidade de impor poder esmagador de combate, como fizemos nos estágios iniciais, onde foi necessário."

A TV estatal líbia informou que vários locais da capital haviam sido alvo nesta segunda-feira de ataques do que chamou de "cruzado inimigo". Repórteres da Reuters ouviram duas grandes explosões seguidas pelos disparos de baterias antiaéreas na noite de segunda-feira, em Trípoli.

Os EUA foram alvo de algumas críticas pela intensidade do poder de fogo usado na Líbia, que incluiu mais de 110 mísseis Tomahawk disparados no sábado para suprimir as defesas aéreas do país e permitir que os aviões ocidentais patrulhem o espaço aéreo local.

Embora a resolução da ONU autorize "todas as medidas necessárias" para proteger os civis, o chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, questionou os métodos usados, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, comparou a campanha aérea com "cruzadas medievais".

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que os EUA planejam transferir a liderança militar em breve. Grã-Bretanha, França, Canadá, Itália e outros países se uniram aos EUA na campanha aérea. Britânicos e franceses lideraram os esforços pela intervenção.

"Nós antecipamos que esta transição acontecerá em questão de dias, e não em questão de semanas", afirmou Obama à imprensa, durante visita ao Chile.

REBELDES DESORGANIZADOS

Os rebeldes aprovaram os ataques aéreos e saudaram os aviões que passavam pela costa da Líbia na região de Benghazi. Os líderes rebeldes também dizem estar agindo em coordenação com as potências ocidentais, mas há poucos sinais na frente de batalha no leste da Líbia de que esta comunicação se estende às unidades avançadas dos rebeldes.

Potências ocidentais dizem não estar provendo estreito apoio aéreo aos rebeldes nem buscando destruir o Exército de Gaddafi, mas somente protegendo os civis, como permite a resolução da ONU, enquanto os desorganizados combatentes rebeldes se esforçam para abrir caminho.

"Se nós não obtivermos mais ajuda do Ocidente, as forças de Gaddafi vão nos comer vivos", disse à Reuters o combatente Nouh Musmari.

Líderes do movimento rebelde em Benghazi admitem que suas forças precisam de mais treinamento.

Já as forças de Gaddafi estão tentando avançar em direção a cidades onde estariam menos vulneráveis a ataques aéreos, enquanto na capital, Trípoli, as pessoas fazem manifestações de apoio ao líder líbio.

Analistas especializados em segurança dizem não estar claro o que ocorreria se as forças do governo avançarem, especialmente pelo fato de as potências ocidentais terem deixado claro não desejar ver a Líbia dividida entre um leste dominado pelos rebeldes e o oeste controlado por Gaddafi.

"A Líbia não vai ser um passeio", disse Glen Howard, presidente da consultoria Jamestown Foundation.

Um porta-voz do governo líbio disse que os ataques estrangeiros mataram muitas pessoas, nos bombardeios de portos e do aeroporto de Sirte.

(Reportagem de Mohammed Abbas e Angus MacSwan em Benghazi, Maria Golovnina e Michael Georgy em Trípoli, Hamid Ould Ahmed e Christian Lowe em Argel; Tom Perry no Cairo, John Irish em Paris, Missy Ryan em Washington, Matt Spetalnick no Rio de Janeiro)

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