Ataques no Afeganistão matam 78 em 2 dias; Karzai abrevia viagem

Uma mina deixada no acostamento de uma rodovia matou 19 civis e feriu outros cinco na quarta-feira na província de Helmand, no sul do Afeganistão, segundo o governo provincial.

MIRWAIS HAROONI, REUTERS

07 de dezembro de 2011 | 11h37

O incidente aconteceu um dia depois de raros ataques sectários em três cidades afegãs, com saldo de 59 mortos. O pior desses incidentes aconteceu numa mesquita xiita de Cabul, a capital.

Por causa dos atentados, o presidente Hamid Karzai cancelou uma visita que faria à Grã-Bretanha e voltou ao Afeganistão imediatamente depois de participar na Alemanha de uma conferência sobre o futuro do seu país.

Apesar do elevado grau de violência no país, o Afeganistão até agora vinha sendo poupado dos conflitos sectários que assolam o Iraque e o vizinho Paquistão. Analistas dizem que, se os atentados de terça-feira abrirem um precedente para ataques entre a maioria sunita e a minoria xiita, a situação vai sobrecarregar dramaticamente as forças locais de segurança, que estão sendo preparadas para supostamente substituir a presença militar estrangeira no Afeganistão.

Na quarta-feira, centenas de xiitas saíram em procissão levando os corpos de mortos no atentado de Cabul. Como o atentado aconteceu durante a celebração xiita da Ashura, os participantes diziam que as vítimas haviam se sacrificado em nome do profeta Maomé.

"Cadê o governo, cadê os parlamentares? Por que eles não aderem ao nosso luto? Isso cria uma lacuna entre o povo e o governo", disse Mohammad, de 40 anos, dizendo ser parente de um dos mortos.

O Ministério do Interior atribuiu os ataques "ao Taliban e a terroristas", sem entrar em detalhes. O Taliban, no entanto, condenou os ataques.

Alguns xiitas se queixaram de que, imediatamente depois da explosão em Cabul, a polícia não esboçou reação para protegê-los. Centenas de fiéis participavam da celebração da Ashura em uma mesquita da capital na hora do ataque.

Na conferência da Alemanha, os apoiadores ocidentais do governo afegão prometeram manter sua ajuda depois da retirada das tropas de combate sob comando da Otan, prevista para o final de 2014.

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