Ataques no Afeganistão não começarão guerra sectária

Os ataques fatais desta semana no Afeganistão não vão iniciar um ciclo de violência muçulmana sunita versus xiita no país, disse o embaixador dos Estados Unidos em Cabul, Ryan Crocker, neste sábado.

DANIEL MAGNOWSKI, REUTERS

10 de dezembro de 2011 | 17h56

Os ataques a bomba, que deixaram quase 60 mortos, levantaram temores de mais violência entre muçulmanos sunitas e xiitas, seguindo um padrão que vem sendo parte do cenário político iraquiano e paquistanês há anos, mas não do cenário afegão.

"Sejam quem forem os arquitetos, eles não têm muito apoio afegão", disse Crocker. "Não vejo isso se transformando em um conflito sectário, apenas olhando a reação da parte da liderança xiita, pedindo calma."

Os ataques de terça-feira incluíram uma grande explosão a bomba lançada por um suicida que matou 55 pessoas em um santuário em Cabul lotado de muçulmanos xiitas, minoria no Afeganistão.

Um novo aspecto sectário no conflito afegão iria pressionar as forças de segurança e levantar questões sobre a capacidade do exército e da polícia do Afeganistão de lidar com a situação depois que as tropas estrangeiras deixarem o país até o final de 2014.

O presidente afegão Hamid Karzai disse depois dos ataques que o grupo sediado no Paquistão Lashkar-e-Jhangvi assumiu a responsabilidade pelo ataque, e que ele levaria a questão com o governo paquistanês.

"Não estou em uma posição de dizer com autoridade que isso foi realizado pelo Lashkar-e-Jangvi", disse Crocker, que serviu como diplomata no Paquistão e no Iraque antes de ser transferido para o Afeganistão no início deste ano.

Ele também disse a jornalistas que não viu provas de que a rede Haqqani, que Washington culpa por vários ataques no Afeganistão, estivesse envolvida nas explosões.

"Como todos nós vimos, os Haqqanis vêm sendo mais letais em atingir os alvos, mas não tenho nada que diga que eles fizeram parte disso", disse, embora haja uma tendência de ataques afegãos serem planejados no Paquistão.

"Virtualmente cada ataque significativo de que tomo conhecimento... ou veio das áreas tribais (no Paquistão) ou do Baluquistão paquistanês", disse Crocker.

Sirajuddin Haqqani, líder da rede, disse recentemente à Reuters que não está mais baseado no Paquistão e opera no Afeganistão.

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